O USO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA GESTÃO DOS RISCOS PSICOSSOCIAIS NO AMBIENTE DE TRABALHO
POSSIBILIDADES E LIMITES
Keywords:
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, RISCOS PSICOSSOCIAIS, NORMA REGULAMENTADORA-01, SAÚDE MENTAL NO TRABALHOAbstract
A proteção à saúde mental do trabalhador é um direito fundamental intrinsecamente derivado do direito à saúde e do direito ao meio ambiente de trabalho sadio, com previsão nas normas jurídicas nacionais e internacionais. Destacam-se as Convenções nº 155 e nº 161 da OIT, ratificadas pelo Brasil e que trazem disposições sobre a saúde mental no trabalho e a premente necessidade de ações preventivas. Paradoxalmente, dados recentes divulgados pelo Ministério da Previdência Social revelam um aumento significativo dos afastamentos por problemas de saúde mental. Em resposta a esse contexto alarmante, a Norma Regulamentadora n.º 1 do Ministério do Trabalho e Emprego foi atualizada e passou a incluir de forma expressa no gerenciamento dos riscos ocupacionais os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. Essa alteração reconhece o trabalho como determinante da saúde mental, objetivando transformá-lo em fator de proteção e não de adoecimento. Nesse cenário, foram lançadas diversas ferramentas de inteligência artificial (IA) que prometem auxiliar as empresas na adequação às exigências da NR nº 01, demonstrando eficiência na compilação de dados e na extração de variáveis essenciais para análises quantitativas. O objetivo desta pesquisa é investigar os limites da IA na identificação, avaliação e prevenção dos riscos psicossociais, sobretudo sua capacidade de capturar a complexidade e a subjetividade desses fatores, que frequentemente se manifestam de forma sutil e individualizada. Essas limitações são analisadas à luz do Guia de Informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho, publicado em 2025 pelo TEM e que norteia a análise e aplicação da NR nº 01. O guia aponta a necessidade de avançar além de questionários e análises quantitativas, defendendo uma análise qualitativa aprofundada, com a participação de quem está inserido no contexto laboral, voltando-se para a organização do trabalho e compreensão do que se realiza com as pessoas, não apenas o que elas executam. A pesquisa foi desenvolvida pelo método dedutivo, partindo de pesquisa bibliográfica e análise de dados estatísticos. Como resultado imediato da pesquisa chegou-se à conclusão de que, apesar do potencial da IA, ela possui limites para a apreensão das complexidades e subjetividades humanas nos ambientes de trabalho, em constante transformação, sendo indicadas ferramentas e metodologias que analisem essas nuances, como a escuta ativa dos trabalhadores, observação das atividades e dos locais de trabalho, diálogo contínuo com os envolvidos, realização de oficinas com auxílio de moderação e workshops. Além disso, mais importante do que obter acesso a ferramentas de IA é saber o que fazer com os dados obtidos, como implementar e acompanhar efetivamente as medidas de controle e prevenção com melhoria contínua. Sem essa camada de análise e intervenção humana, a avaliação eventualmente resultante da IA pode não refletir a realidade de trabalho e o plano de ação eventualmente resultante pode permanecer como um mero documento desprovido de efetividade real na proteção da saúde psicossocial do trabalhador.