DIVERSIDADE ÉTNICA E FORMAÇÃO INTERCULTURAL NA UEMA

CAMINHOS PARA UMA PERSPECTIVA CRÍTICA EM EDUCAÇÃO

Authors

  • Daniel Bergue Pinheiro Conceição Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes

Keywords:

EDUCAÇÃO QUILOMBOLA, DIVERSIDADE ÉTNICA, FORMAÇÃO INTERCULTURAL

Abstract

A educação intercultural no Brasil, em especial a formação em Licenciatura em Educação Quilombola, configura-se como uma possibilidade concreta de construção e valorização de epistemologias, saberes e conhecimentos historicamente marginalizados. Refletir criticamente sobre os processos educacionais formais implica reconhecer que, historicamente, a universidade pública brasileira tem operado como espaço de reprodução de perspectivas hegemônicas e coloniais, contribuindo para a subalternização de grupos étnico-raciais e a invisibilização de seus modos de vida e formas de existência. É nesse contexto que se insere esta pesquisa, desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Social da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), vinculada à linha de pesquisa Movimentos Sociais, Identidades e Territorialidades. O estudo é politicamente situado e se articula ao conjunto de pesquisas que abordam a educação intercultural e as relações étnico-raciais no Brasil, com foco no Estado do Maranhão. Busca-se analisar a experiência da Licenciatura em Educação Quilombola (LIEQ), vinculada ao Programa de Formação para a Diversidade Étnica do Maranhão (PROETNOS), da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), problematizando como a universidade pública tem lidado com a interculturalidade no ensino superior, frente aos modelos tradicionais eurocêntricos, embranquecidos, elitistas de produção do conhecimento. A partir de uma perspectiva crítica em educação, o estudo alinha-se às demandas históricas dos movimentos sociais, especialmente dos movimentos negros, que lutam por transformações sociais, educacionais e culturais. Interessa-me compreender como a educação pode contribuir para a ruptura com lógicas coloniais e para a construção de outros projetos de sociedade, nos quais seja possível afirmar a existência, os saberes e os modos de ser de sujeitos historicamente marginalizados. Nesse sentido, a pesquisa problematiza a articulação entre educação e sociedade, considerando que a realidade social marcada por desigualdades pode ser transformada por meio de práticas educativas comprometidas com a justiça, a dignidade e o reconhecimento. A mudança a que se refere este estudo diz respeito às dimensões do ser, do viver e do falar de si e dos seus nos espaços de poder e saber, tensionando os limites da universidade tradicional e abrindo caminho para experiências educacionais mais plurais e emancipatórias. Por fim, esta discussão se insere na luta contra o colonialismo epistêmico, reivindicando os saberes produzidos no Sul Global, nas margens e nas fronteiras, como legítimos e necessários à construção de um projeto de educação verdadeiramente intercultural na América Latina.

Published

2025-10-03

Issue

Section

Simpósio On140 - DIREITOS HUMANOS, AÇÕES AFIRMATIVAS E EDUCAÇÃO