PERCEÇÕES DE DOCENTES SOBRE AS PRÁTICAS INCLUSIVAS
ESTUDO PILOTO NUM AGRUPAMENTO DE ESCOLAS
Keywords:
PERCEÇÕES, EDUCAÇÃO INCLUSIVA, PRÁTICAS, RECURSOSAbstract
Nos últimos anos, têm-se verificado substanciais avanços na legislação sobre educação inclusiva, acompanhados por progressos expressivos na capacitação das escolas e no desenvolvimento profissional dos docentes. No entanto, são, ainda, escassos os estudos portugueses focados nas práticas inclusivas e na perceção dos profissionais de educação e das famílias sobre a sua preparação para promover uma inclusão educativa efetiva. Através de uma metodologia mista, o presente estudo analisa e carateriza as perceções dos profissionais de educação e das famílias sobre as práticas inclusivas, estuda a associação de fatores pessoais e profissionais com as mesmas práticas e explora os contributos dos participantes para a otimização das práticas inclusivas em sala de aula. Num primeiro momento, a Escala de Recursos e Práticas para a Educação Inclusiva (Carvalho et al., 2022) e um questionário socioprofissional foram utilizados para a recolha de dados. Posteriormente foram realizados Grupos Focais para Docentes e Psicólogos. No estudo quantitativo, participaram 103 professores do mesmo agrupamento (79.4% mulheres), com idades compreendidas entre os 43 e os 66 anos (M = 54.84, DP = 6.337), tendo a maioria mais de 21 anos de experiência no ensino. Os participantes lecionavam em todos os diferentes níveis de ensino, mas com maior proporção no terceiro ciclo (45.8%) e a maioria (64.5%) exercia cargos ou funções específicas para além da docência. No estudo qualitativo foram realizados dois grupos focais com profissionais de educação constituídos com 6 participantes cada: G1 - 1 educadora, 1 docente do 1.º ciclo, 1 docente do 2.º ciclo, 2 docente do 3.º ciclo e 1 docente da educação especial. G2 - 1 educadora, 1 docente do 1.º ciclo, 1 docente do 2.º ciclo, 2 docente do 3.º ciclo e Psicóloga. Realizaram-se análises descritivas, diferenciais, correlacionais e de regressão e análise temática. Os resultados indicam que os professores percecionaram níveis elevados de práticas inclusivas e níveis moderados de recursos inclusivos disponíveis. Contudo, a influência das variáveis relacionadas com as caraterísticas pessoais e profissionais dos professores nas práticas inclusivas revelou-se complexa e multidimensional. O trabalho direto com alunos com medidas adicionais foi significativamente associado a práticas pedagógicas mais inclusivas, indicando que a experiência prática favorece atitudes mais positivas e estratégias mais eficazes (Sharma et al., 2009; Carvalho et al., 2024). A maioria dos professores não frequentou formação em educação inclusiva, o que pode comprometer a eficácia das práticas inclusivas. A baixa variância explicada pelos modelos estatísticos confirma que as práticas inclusivas são influenciadas por múltiplos fatores. São apresentadas implicações para políticas, práticas e investigação.