EU NÃO ME VEJO NESSAS TELAS

MULHERES COM DEFICIÊNCIA NO CINEMA E A ROTEIRIZAÇÃO DE UMA NARRATIVA PATRIARCAL-CAPACITISTA

Authors

  • Angélica Ferreira de Freitas Universidade Federal de Jataí

Keywords:

MULHERES COM DEFICIÊNCIA, CINEMA, REPRESENTAÇÃO, CAPACITISMO, DIREITOS HUMANOS

Abstract

O presente trabalho tem como objeto de pesquisa a representação de mulheres com deficiência no cinema, problematizando como essas narrativas audiovisuais contribuem para a reprodução de discursos patriarcais e capacitistas. A relevância do tema se justifica pela centralidade do cinema como meio de comunicação de massa, responsável por levar às pessoas arte, cultura e acesso à informação, mas também por atuar na construção dos imaginários sociais, sendo um instrumento potente tanto na reprodução de estigmas quanto na promoção de transformações culturais, especialmente quando se trata de grupos historicamente marginalizados. As mulheres com deficiência são, em grande medida, invisibilizadas nas telas e, quando aparecem, são frequentemente retratadas sob perspectivas que reforçam estereótipos de fragilidade, infantilização, assexualização ou, em outro extremo, de romantização da superação, negando-lhes subjetividade, desejos e complexidades humanas. O objetivo central é analisar de que forma os filmes contribuem para a construção social de narrativas que marginalizam ou, eventualmente, promovem uma representação digna dessas mulheres, alinhada aos seus direitos humanos fundamentais. Os objetivos específicos incluem compreender como os discursos capacitistas e patriarcais são estruturados nas produções audiovisuais e refletir sobre os impactos dessas representações na efetivação dos direitos humanos, especialmente no que se refere ao direito à identidade, à dignidade e à participação social. A metodologia adotada é qualitativa, com enfoque na análise de conteúdo e na análise fílmica. Optou-se por selecionar obras cinematográficas que, apesar da baixa quantidade, ganharam destaque no circuito comercial ou crítico, sem delimitação temporal rígida, devido à escassez de produções que abordam essa temática. Esta pesquisa também propõe uma análise comparativa entre o cinema mainstream e o cinema independente, no qual, geralmente, há mais espaço para corpos dissidentes. A análise será guiada por uma perspectiva interseccional, dialogando com autores que abordam deficiência, gênero, sexualidade e direitos humanos, como Mello (2014, 2016, 2019), Costa (2021), Pessotti (1984), Denari (1997, 2013), Garland-Thomson (2009) e Piccolo (2015), além de referenciais sobre cinema, como Xavier (1977, 1993) e Bordwell e Thompson (2013), e sobre representação e representatividade, como Hall (2016) e Dyer (1997, 2002). Parte-se da hipótese de que as produções cinematográficas, na sua maioria, ainda reforçam uma lógica narrativa excludente, que insere as mulheres com deficiência em uma arquitetura simbólica de descrédito social, apagando suas vivências, seus corpos e seus desejos. Contudo, também se levanta a hipótese de que há produções emergentes que tensionam esse paradigma, oferecendo possibilidades de ruptura com os modelos tradicionais de representação. Como resultado parcial, observa-se um baixo número de produções com representatividade de mulheres PcDs e  que, embora a maioria dos filmes ainda reforçam discursos patriarcais-capacitistas, há produções que começam a visibilizar essas mulheres de forma mais complexa e digna, contribuindo para a construção de narrativas que afirmam seus direitos, suas subjetividades e sua presença socioeconômico na sociedade.

Published

2025-10-03