EVENTOS CLIMÁTICOS EXTREMOS COMO AMEAÇAS À SEGURANÇA HUMANA
UMA APROXIMAÇÃO TEÓRICA
Keywords:
Segurança Humana, Eventos Climáticos Extremos, Ameaças Ambientais, Desenvolvimento Humano, Crise ClimáticaAbstract
O presente estudo tem como objeto de análise os eventos climáticos extremos e sua configuração como ameaças de natureza ambiental à segurança humana, propondo uma aproximação teórica entre esses fenômenos e a concepção multidimensional de segurança. A relevância da temática reside na constatação de que tais eventos, como secas severas, enchentes, ciclones e ondas de calor, tornaram-se cada vez mais frequentes, intensos e destrutivos, configurando um novo padrão climático global. Tal conjuntura não apenas afeta ecossistemas e infraestruturas, mas compromete diretamente as condições básicas de sobrevivência de populações inteiras, principalmente as mais vulneráveis. Diante disso, impõe-se a necessidade de revisão dos marcos analíticos clássicos dos Estudos de Segurança, tradicionalmente centrados na proteção do Estado frente a ameaças externas, com vistas à incorporação de abordagens que coloquem o ser humano no centro da análise, como propõe a noção de segurança humana. O principal objetivo da pesquisa é compreender de que maneira os eventos climáticos extremos podem ser interpretados como ameaças à segurança humana, à luz de uma perspectiva teórica ampliada e multidimensional. Para tanto, a metodologia adotada foi a pesquisa bibliográfica, com base em literatura especializada, relatórios institucionais e documentos internacionais, como os Relatórios de Desenvolvimento Humano do PNUD (1994; 2022), o relatório da Comissão de Segurança Humana (2003) e o documento “Human Security: Report of the Secretary-General” (2024), além de autores como Giddens, Buzan, Wæver, Paris, entre outros. A hipótese central é a de que os eventos climáticos extremos, ao interagirem com vulnerabilidades sociais preexistentes, transformam-se em ameaças complexas e difusas, exigindo respostas intersetoriais e interagenciais. A crise climática, nesse contexto, desafia o “paradoxo de Giddens”, segundo o qual ameaças difusas tendem a ser desvalorizadas socialmente. Além disso, os dados mais recentes, especialmente os do ano de 2024, evidenciam um ponto de inflexão, com o agravamento da emergência climática e a intensificação de seus efeitos concretos sobre populações ao redor do mundo. Os resultados parciais do trabalho apontam para a necessidade de reconceitualizar a segurança ambiental como parte integrante da segurança humana, reconhecendo a interdependência entre indivíduos, comunidades e ecossistemas. Isso implica o fortalecimento de políticas públicas baseadas na solidariedade, resiliência coletiva e justiça climática, bem como a ampliação da atuação de atores estatais e não estatais — incluindo as Forças Armadas — na mitigação, contenção e resposta a desastres climáticos. Conclui-se que a leitura da crise climática sob a ótica da segurança humana oferece instrumentos analíticos e normativos relevantes para enfrentar os desafios emergentes do Antropoceno.