TECENDO REDES DE RESISTÊNCIA
UMA ETNOGRAFIA DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM CONTEXTO PERIFÉRICO NO BRASIL
Keywords:
Violência Doméstica; Extensão Universitária; Rodas de Conversa; Afirmação de Direitos e Brasil.Abstract
Este resumo apresenta um recorte de pesquisa-ação vinculada a um projeto de extensão universitária, trazendo minhas percepções etnográficas enquanto professora e antropóloga. O objeto desta comunicação é descrever nosso trabalho de enfrentamento à violência doméstica e familiar com mulheres da periferia da região metropolitana goiana, residentes no Setor Jardim, em Aparecida de Goiânia, em Goiás - Brasil. A relevância temática e a justificativa deste trabalho residem na abordagem de um problema social complexo que afeta um grupo vulnerabilizado (mulheres em contexto de periferia), oferecendo uma perspectiva inter/transdisciplinar e empírica para a afirmação de direitos. O projeto, em sua quarta edição, surgiu de provocações em aulas de Antropologia Jurídica sobre a cultura do machismo e o alto índice de feminicídio no Brasil, transformando o ensino em extensão e, agora, em pesquisa. Essa experiência extensionista, estabelecida em 2025 na área externa da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Aparecida, tem sido desenvolvida juntamente com estudantes do curso de Direito de uma universidade pública estadual goiana (UEG). É a primeira vez que uma pesquisa científica é integrada oficialmente à comunidade participante. O objetivo geral dessa pesquisa-ação é compreender os marcadores sociais da diferença (idade, raça, classe, orientação sexual, religião, etc.) e as percepções das participantes sobre os tipos e o ciclo da violência doméstica. A metodologia adotada inspira-se no método paulofreiriano de educação popular, com rodas de conversa de caráter educativo centradas na emancipação das mulheres. As âncoras principais são as perspectivas do amor e da emancipação, fundamentadas em autoras como bell hooks e Glória Anzaldúa. Temas de Antropologia e Direitos Humanos são integrados, utilizando vertentes feministas antirracistas do direito crítico e a educação popular de Paulo Freire para apresentar leis mulheristas brasileiras. Nós criamos espaços de interlocução, escuta, troca de experiências e saberes, além de acolhimento e orientação sobre canais de denúncia. Para aprofundar a compreensão das subjetividades das participantes, a pesquisa adota o método etnográfico, com observação participante durante as rodas de conversa nas ações de extensão. Pretendo expor resultados parciais e perspectivas e descrever como tem sido a integração oficial da pesquisa, iniciada em 2025, observando que ela tem permitido um maior aprofundamento no entendimento sobre as dinâmicas de violência e estratégias de resistência dessas mulheres, validando a transição do ensino para a extensão e, consequentemente, da extensão para a pesquisa empírica.