GOVERNOS LULA, ESTRATÉGIA DEMOCRÁTICO-POPULAR E A PAUTA PARA O SEGMENTO LGBTQIA+

Authors

  • Adrianyce A. Silva de Sousa Universidade Federal Fluminense

Keywords:

Estratégia democrático popular, Direitos Humanos, Governos Lula, LGBTQIA , democracia de cooptação

Abstract

O presente artigo reflete acerca da relação entre a estratégia democrático popular, os Governos Lula (2003-2010) e (2023-2026), possíveis avanços para a pauta LGBTQIA+ nestes governos. Nosso pressuposto é de que, nos Governo Lula, a estratégia democrático-popular se realiza por meio de uma democracia de cooptação, cujas consequências são de grande impacto nas formas de enfrentamento da classe trabalhadora em geral face à luta de classes no país e, em particular, sob a pauta da população LGBTQIA+. Nossa pesquisa realizou-se balizada no método materialista histórico-dialético, por meio de revisão bibliográfica e análise documental. A análise documental foi feita em Programas e Planos do Governo: Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra GLBT e de Promoção da Cidadania Homossexual (2004); Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – PNDCDH-LGBT (2009); Programa Nacional de Direitos Humanos 3 – PNDH 3 (2009), que consideramos os mais expressivos para a análise proposta. Em relação ao atual mandato (2023-2026) analisa-se os Planos e Programas até o presente. Na análise dos documentos identificamos duas questões: uma primeira, que se refere a articulação que, nos governos Lula, vai expressar a estratégia democrático-popular, na efetivação das reformas que a burguesia não realizou, e, que para o segmento LGBTQIA+ essas “reformas” são fundamentadas a partir de uma concepção de Direitos Humanos na qual, os Direitos Humanos constituem condição para a “prevalência da dignidade humana”, e que devem ser promovidos e protegidos por meio de esforço conjunto do Estado e da sociedade civil. Uma segunda, diretamente associada a primeira, quando a especificidade das lutas do segmento LGBTQIA+, - que expressam opressões concretas, - não são generalizadas para a compreensão da necessidade da emancipação humana, sendo diluídas numa visão acrítica de sociedade civil que se articula-se harmonicamente a um Estado também que aparece como “arbitro” desprovido de luta de classes. Em ambos os casos, se para a classe trabalhadora em geral, os governos Lula significaram o apaziguamento da luta de classe face a resignação na esfera do cidadão consumidor, quer nos parecer, que estas determinações para o segmento LGBTQIA+ particularizam-se ainda mais num resignar-se apenas ao direito a ter direitos restringindo, no nosso entendimento, a questão ao formalismo e a participação democrática, esvaziado pela institucionalidade, via conselhos, disputa de editais, ou pela legalidade, face ao direito positivo. A análise comparativa entre os mandatos (2002-2010) e (2023-2026) confirma os pressupostos da pesquisa evidenciando o sentido ídeo-político que atravessa essas ações, pois trata-se de uma direção social que assume um projeto de conciliação de classes com características muito específicas, “condição defensiva; conquista da democracia e da cidadania como objetivo e horizonte de suas lutas e o crescente distanciamento ideológico de um projeto societário anticapitalista”. Nessa perspectiva, o segmento LGBTQIA+ se fragmenta em um conjunto de instituições formadas por “ativistas” defensores da democracia e dos direitos humanos, voltados, necessariamente, para a efetivação do espaço público e de uma espécie de bem comum, tão marcante na estratégia democrático-popular.

Author Biography

Adrianyce A. Silva de Sousa, Universidade Federal Fluminense

Assistente Social pela Universidade Estadual do Ceará - UECE. Doutora em Serviço Social Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Mestre em Serviço Social Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Estágio pós-doutoral em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2019/2021). Atualmente é professora Associada 04 da Escola de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense UFF/Niterói e do corpo permanente do Programa de Pós-graduação em Serviço Social e Desenvolvimento Regional. Coordena o Núcleo Interinstitucional de Estudos e Pesquisas sobre Teoria Social, Trabalho e Serviço Social - NUTSS. Realiza pesquisa científica na área de Fundamentos históricos, teórico-metodológicos e ético político do Serviço Social e, na teoria social marxista, com aprofundamento no pensamento de G. Lukács. Coordenadora Nacional do GTP de Ética, Direitos Humanos e Serviço Social / ABEPSS Gestões (2017-2018; 2021-2022) e Membro da Comissão Permanente de Ética do CRESS/RJ (Gestão 2020-2023; 2024-2026). Atualmente Bolsista Produtividade nível 02 do CNPq

Published

2025-10-03

Issue

Section

Simpósio P38 - DIREITOS HUMANOS E POLÍTICA CONTEMPORÂNEA