LUTA PELA TERRA E DIVERSIDADE
A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA E POLÍTICA DO COLETIVO LGBT SEM TERRA NO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA (MST)
Keywords:
MOVIMENTOS SOCIAIS; COLETIVO LGBT SEM TERRA; DIVERSIDADE SEXUAL; DIREITOS HUMANOS; MST.Abstract
Este trabalho tem por objetivo analisar a história do Coletivo LGBT Sem Terra, investigar suas origens, pautas, reivindicações e os contornos da difusão dos debates sobre diversidade sexual no âmbito do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A escolha do tema se justifica pela relevância de compreender como um movimento de luta social pela terra (MST) e o movimento LGBT convergem em uma reivindicação comum contra o sistema de opressão capitalista, racista e patriarcal. As hipóteses iniciais sugerem que existe uma sinergia entre a luta pela terra e as pautas LGBT no combate às opressões sistêmicas. Considera-se que a formação do Coletivo LGBT Sem Terra, representa uma transformação na maturidade política do MST, ampliando a compreensão sobre as dimensões da luta por uma sociedade mais justa e inclusiva. Entende-se também que as pessoas LGBT sempre estiveram presentes e contribuíram para a construção do MST, mesmo antes da formalização de suas pautas específicas. A concretização do coletivo impulsionou transformações significativas na vida de assentados e assentadas LGBTs, fortaleceu o combate não apenas ao latifúndio, mas também ao patriarcado, ao machismo e a todas as formas de preconceito e discriminção contra a diversidade sexual. O estudo parte da premissa de que a invisibilização das pautas sobre diversidade sexual está intrinsecamente ligada à manutenção das estruturas capitalistas e patriarcais, que historicamente reforçam a heteronormatividade compulsória e marginalizam outras formas de existência e afeto. Os objetivos da pesquisa desdobram-se em geral e específicos. O objetivo geral é analisar o processo de construção e concretização do Coletivo LGBT Sem Terra. Os objetivos específicos incluem: investigar o histórico das reivindicações das LGBTs Sem Terra; analisar as abordagens na construção de uma diversidade que contemple múltiplas formas de amar e existir; identificar possibilidades de integração do Coletivo LGBT Sem Terra com outros movimentos sociais transformadores. A metodologia empregada consistirá na revisitação a relatorias de espaços formativos do MST, seminários, cursos de formação e reuniões do Coletivo LGBT Sem Terra, bem como na realização de revisão bibliográfica especializada sobre diversidade sexual no campo e sua articulação com movimentos sociais. Os resultados parciais indicam que a criação do Coletivo LGBT Sem Terra, oficializada com o 1º Seminário “O MST e a Diversidade Sexual”, realizado em 2015, representou um marco para o reconhecimento institucional dessas pautas dentro do Movimento. A partir disso, observou-se uma ampliação dos espaços de debate e acolhimento, fortalecendo a luta por direitos e reconfigurou a própria concepção de transformação social defendida pelo MST. Conclui-se que a articulação entre a luta pela terra e a luta pela diversidade sexual é indispensável para a construção de uma sociedade mais justa, plural e emancipadora.