QUEM PAGA O PREÇO DA MODA?
AS PRÁTICAS ÉTICAS E SUSTENTÁVEIS NAS DECISÕES DE COMPRA
Palavras-chave:
INDÚSTRIA DA MODA, SUSTENTABILIDADE, DIREITOS HUMANOS, TRABALHO, DIREITO DA MODAResumo
A presente pesquisa aborda os impactos sociais e ambientais decorrentes da indústria mundial da moda, a qual se trata de um setor de extrema relevância para a economia mundial, sendo responsável pelo faturamento de R$ 525 bilhões anualmente no e-commerce, além de crescer cerca de 11,4% por ano. No ano de 2022, o setor já correspondia a 5% do PIB brasileiro e oferecia mais de 1 milhão de empregos. Apesar de sua importância para a economia global, atualmente, é considerado um dos setores mais poluentes do mundo, prejudicando de forma drástica o meio ambiente, por fazer diversos tipos de descartes de resíduos incorretos. O objeto que orienta a pesquisa, é como ocorre a interseção entre a promoção da dignidade humana e de um mercado de moda sustentável, através das decisões de compra dos consumidores e as políticas adotadas pela indústria da moda. As empresas, ao tentarem trazer benefícios para os consumidores, usurpam os direitos dos trabalhadores, ofertando condições precárias, longas horas de trabalho forçado, e com isso os insere em um ambiente de vulnerabilidade, além de esgotarem os recursos do meio ambiente na tentativa de produções rápidas de itens de vestuário, o que caracteriza a prática de fast-fashion. A relevância da temática surge, pois, a sociedade tem buscado entender cada vez mais sobre a realidade da cadeia produtiva do mercado da moda, apresentando a grande influência que esse mercado possui na economia mundial, e tem como principal objetivo entender como a interação dos Direitos Humanos e o Direito da Moda moldam práticas e políticas desse segmento, influenciando o comportamento dos consumidores. Foi adotada então, a estratégia qualiquantitativa, através de investigações bibliográficas, utilizando-se livros, artigos e uma análise documental da legislação, regulamentações e políticas relacionadas ao Direito da Moda e ao consumo consciente de moda. Além da utilização da pesquisa de campo, por meio de um questionário estruturado, o qual apresentou resultados preliminares que indicam que a maioria dos consumidores apesar de não utilizarem das práticas sustentáveis como fator de influência em suas decisões de compra, apresentam cada vez mais, um maior interesse nas práticas éticas e sociais, demonstrando preocupação com as condições de trabalho, além de considerarem as empresas de moda como indutoras ao consumo excessivo. Nesse sentido, é de extrema urgência que se haja uma conscientização universal acerca das situações, atualmente ocultas, no processo da cadeia produtiva na indústria da moda, tanto em relação à utilização desenfreada e incorreta dos recursos naturais, quanto no que se diz respeito às condições precárias de trabalho, que resultam no rechaçamento da dignidade da pessoa humana.