GOVERNAR PELO EXTERMÍNIO
A NECROPOLÍTICA, O RACISMO E A LÓGICA POR TRÁS DAS MORTES DOS NEGROS CAUSADAS PELOS APARELHOS DE SEGURANÇA PÚBLICA NO BRASIL CONTEMPORÂNEO
Keywords:
NECROPOLÍTICA; RACISMO ESTRUTURAL; VIOLÊNCIA ESTATAL; SEGURANÇA PÚBLICA; POPULAÇÃO NEGRAAbstract
Esta pesquisa tem como objetivo examinar os efeitos da necropolítica no Brasil, levando em conta a herança da escravidão e a maneira como os órgãos de repressão, a exemplo das polícias e do sistema penal, atuam sobre a população negra. Inspirados pelo conceito de necropolítica, criado por Achille Mbembe, investiga-se como o racismo estrutural legitima a seletividade penal, à violência por parte do Estado e o genocídio dos jovens negros, decidindo quem tem o direito de viver e quem pode morrer, funcionando como mecanismo de controle social. A relevância deste tema está na necessidade de entender como, em um sistema democrático, a segurança pública acaba por aceitar e legitimar a violência estatal contra grupos marginalizados, principalmente os negros, um fenômeno que demonstra a continuidade da estrutura colonial de dominação. Observa-se que a ação das forças de segurança pública nas comunidades e áreas periféricas urbanas, associada ao discurso de combate às drogas, é uma demonstração da necropolítica. No Brasil, a letalidade policial evidencia uma prática de eliminação que afeta principalmente jovens negros, de baixa renda e moradores da periferia, assim como os dados do sistema prisional revelam uma política de encarceramento em massa da população negra. O racismo, portanto, não é apenas um resquício do passado colonial, mas um mecanismo funcional do poder estatal, cuja lógica é mantida através de ações intencionais e institucionalizadas. O principal objetivo desta pesquisa é analisar como o Estado brasileiro, por meio de sua política de segurança pública, exerce um poder necropolítico sobre a população negra e sobre outras comunidades invisibilizadas. Entre os objetivos específicos, podemos destacar: identificar práticas institucionais que revelam como a necropolítica é aplicada no contexto brasileiro; analisar o discurso jurídico que apoia essas práticas; investigar a segurança pública como um meio de repressão racial; examinar dados sobre encarceramento e o genocídio da juventude negra; compreender as relações entre pobreza, ser negro e a violência estatal; e, identificar formas de resistência à lógica da morte, como os movimentos sociais negros e a produção intelectual negra. A metodologia utilizada é qualitativa, bibliográfica e documental, baseada em autores como Giorgio Agamben, Sueli Carneiro, Angela Davis, Frantz Fanon, Miranda Fricker, Achille Mbembe e Abdias do Nascimento. Serão analisados dados estatísticos, como os da Secretaria Nacional de Políticas Penais e do CNJ. A principal hipótese do presente estudo é que o Estado brasileiro mantém uma lógica necropolítica que legitima o controle, a prisão e o extermínio de negros sob a justificativa de combater o crime e manter a ordem. Precisamos nos opor a essa violência estatal e discutir os limites da democracia racial brasileira, além da urgência de uma política pública que seja pensada pelos movimentos sociais e intelectuais negros como uma alternativa a esse modelo, propondo alternativas concretas e afirmando uma política voltada para a vida e a dignidade.