CAMINHOS E DESCAMINHOS PARA A ESCOLA
NARRATIVAS DA TRAJETÓRIA EDUCATIVA DE ESTUDANTES QUILOMBOLAS DE HELVÉCIA E DE VILA JUAZEIRO E AUSÊNCIA DE DIREITOS A POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS
Keywords:
EDUCAÇÃO QUILOMBOLA; POLÍTICAS PÚBLICAS; RACISMO.Abstract
Este estudo tem como mote, analisar as trajetórias educativas dos/as estudantes quilombolas das Comunidades Quilombola de Helvécia localizada no Município de Nova Viçosa - BA e a Comunidade Quilombola de Vila Juazeiro situada no Município de Ibirapuã - BA. Vale salientar, que essa pesquisa é de cunho qualitativo, que para atender o nosso objeto, realizamos a imersão no estudo de casos múltiplos, bem como um trabalho de campo com utilização de entrevistas como instrumento metodológico importante para compreender tais trajetórias. As entrevistas foram realizadas com cinco representantes em cada comunidade, totalizando dez participantes. Para, além disso, fizemos a imersão nas pesquisas e escritas realizadas por Flávio dos Santos Gomes (2016), Clóvis Moura (1972, 1981, 1983), Abdias do Nascimento (1980) que contribuíram no desenvolvimento da base conceitual e legislativa que suleiam a questão quilombola, Eliane oliveira com os fundamentos voltados para as mudanças no processo de socialização racial em diferentes gerações, Nilma Lino Gomes sobre o papel do movimento negro na luta e conquista de políticas públicas para a população negra. Além disso, definimos algumas categorias analíticas, a saber: Coletividade, podemos afirmar que essa coletividade se fez presente nas narrativas das/os estudantes principalmente quando trataram da escola não quilombola, onde essa categoria foi de suma importância para garantir a permanência, diante de uma série de violências que acometiam essas/es estudantes; Estrutura escolar, analisamos o funcionamento da escola (horários de funcionamento/ mobilidade e equipamentos), transporte, merenda, trabalhos em grupo, ausência na escola (período de plantio e colheita) e Políticas de Ações afirmativas (acesso, suporte e permanência); Resistência e enfrentamento do Racismo (Exclusão escolar, determinação, incentivo da família) e Ancestralidade (Trajetória familiar, valorização da escola pela família). O que podemos apontar enquanto resultados deste estudo, é que mesmo diante dos avanços em Políticas Públicas de Ações Afirmativas nos últimos 30 anos no Brasil, ainda assistimos nas comunidades quilombolas a ausência da materialização, sobretudo acerca da oferta da Educação Básica no Território, tendo que recorrer a unidades escolares não quilombola, espaço este que denominamos o não lugar do/a estudante quilombola, por toda violência que atravessam esses corpos.