IMPACTOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO DESENVOLVIMENTO INFANTOJUVENIL
DESAFIOS E PROTEÇÃO FAMILIAR
Keywords:
Inteligência Artificial; Direitos Humanos; Políticas Familiares.Abstract
A inteligência artificial (IA) tem se tornado cada vez mais presente na vida de crianças e adolescentes, trazendo consigo oportunidades e desafios significativos para o seu desenvolvimento. Muitas são as adversidades a serem enfrentadas nesse campo, pois, essa tecnologia encontra-se nos jogos, aplicativos educacionais, redes sociais, dentre outros espaços infantojuvenis, podendo influenciar desde a socialização até o desenvolvimento cognitivo e emocional. Dentre os muitos desafios, podemos destacar a saúde mental e emocional que, a partir do uso excessivo pode levar à dependência tecnológica e ao isolamento social, prejudicando as interações humanas tão importantes para o desenvolvimento do ser humano e das suas habilidades sociocognitivas. No tocante ao desenvolvimento cognitivo e social, a dependência da IA para atividades escolares e respostas de conversas em redes sociais pode inibir o pensamento crítico e a criatividade. As plataformas impulsionadas por IA podem se tornar ambientes onde o cyberbullying é facilitado, expondo crianças e adolescentes a situações de assédio e pressão social. Podem criar, também, as chamadas "bolhas de filtro", que expõem esse público afetando-os a forma como veem o mundo e a si mesmos. A privacidade e segurança de dados a que ficam expostos são preocupações sérias, pois, com a coleta massiva de informações sensíveis faz com que esses usuários fiquem vulneráveis a vazamentos ou uso indevido. Por fim, destaca-se que os algoritmos de recomendação direcionam as crianças e adolescentes a conteúdos inapropriados para a sua idade como a pornografia gerando, ainda, o abuso e a exploração sexual. Dados de pesquisas são alarmantes e têm demonstrado que a essa violência na internet contra crianças e adolescentes cresce a cada ano. Pesquisas indicam que a média de idade em que se começa a consumir pornografia no país é de 11 anos e, em torno de 10% dos consumidores, de pornografia têm menos de 10 anos. A proposta do presente trabalho é fazer uma reflexão acerca dos impactos da IA no público infantojuvenil e suas consequências, bem como as estratégias de proteção familiar para mitigar riscos e contribuir para a formação da cidadania digital, tendo como cerne a dignidade da pessoa humana. A pesquisa possui uma abordagem qualitativa por meio de análise de conteúdo dos dados coletados. Com objetivo exploratório, busca uma maior familiaridade e compreensão do objeto. Os dados quantitativos encontrados auxiliaram na análise do uso da IA no tocante ao abuso e a exploração sexual envolvendo o público infantojuvenil. O diálogo do Direito com as Ciências Sociais ampliou a visão investigativa e permitiu uma melhor compreensão do objeto em análise. Frente ao contexto supramencionado, especialistas sugerem a inserção do tema nas políticas de educação, saúde e, principalmente, familiar. As intervenções com caráter preventivo que envolvem os pais apresentam impacto até nove vezes maior que aquelas direcionadas apenas às crianças e aos adolescentes.