COMBATE AO RACISMO NO FUTEBOL
DA CONSCIÊNCIA NEGRA AO LUGAR DE FALA DOS JOGADORES
Keywords:
RACISMO, JOGADORES DE FUTEBOL, CONSCIÊNCIA NEGRA, LUGAR DE FALAAbstract
A estratificação racializada da sociedade brasileira tem suas raízes no processo colonizatório, em particular na escravatura que vigorou por aproximadamente quatro séculos. Concomitantemente, o sistema escravocrata foi preponderante fator histórico e estruturante do racismo no Brasil. Alencastro (2000) proporciona o entendimento do “trato dos viventes” e sua importância para formação econômica e cultural, do Brasil, evidenciando como a escravidão penetrou nas dimensões mais íntimas do funcionamento da sociedade e da composição dos elementos culturais tupiniquins. Consideramos que o fenômeno futebol transcende os limites das práticas esportivas, no entanto, também é um espaço onde o racismo estrutural se manifesta de maneira explícita e implícita. O racismo e as características aristocráticas, hierárquicas e machistas se faziam presentes, no ambiente futebolístico, desde o seu desembarque no Brasil. Todavia, se tornar um jogador profissional de futebol, na contemporaneidade, é a principal possibilidade de rompimento com a lógica econômica da branquitude. Os altos salários e a visibilidade, da carreira de jogador de futebol, contrapõem a estratificação social ao apresentar os ricos corpos negros dos jogadores, porém não impedem que os mesmos corpos sejam vítimas do racismo. De Vinícius Júnior à Luighi, os recorrentes ataques evidenciam a iminência de mecanismos de enfrentamento do racismo no cenário futebolístico. Diante disso, o objetivo deste ensaio é analisar como o desenvolvimento da consciência negra e a compreensão do “Lugar de Fala”, dos jogadores negros, se colocam como possibilidades de combate às práticas racistas no futebol. Através do fenômeno esportivo “futebol”, este ensaio trata de como as práticas racistas devem ser analisadas de modo crítico em torno das desigualdades raciais. Fanon (2008), destaca que a formação da consciência negra surge como um processo de resistência e autocompreensão, em que o se perder na negritude se torna um ponto de partida para a construção de uma identidade, livre das imposições do olhar branco e do desejo de assimilação. Diante dos atos racistas, é imprescindível reconhecermos as reivindicações dos jogadores. A consciência negra se afirma como uma forma de oposição ao apagamento histórico, buscando na valorização da própria identidade um caminho para romper com a condição racista que tenta silenciá-la. Fanon (2008) ressalta, a consciência negra é plena e autossuficiente, não necessita de validação externa ou de recorrer a conceitos universais, sendo, portanto, um chamado à afirmação e à luta pela liberdade que transcende as fronteiras individuais, exigindo a ação de todos na desconstrução das estruturas racistas. Ribeiro (2019), a noção de "lugar de fala" não se refere apenas a quem pode falar, mas a partir de onde as pessoas falam, refletindo suas experiências e desafios em um sistema social que favorece determinados grupos e oprime outros. Com essa consciência, é necessário que os jogadores negros de futebol, ao longo do processo de formação, reconheçam a prevalência dos privilégios brancos nas posições de poder, as tentativas de silenciamentos das vozes negras e tomem atitudes ativas para transformar essa realidade. O racismo é considerado crime no Brasil e a punição efetiva dos casos denunciados é a precursora do combate às práticas racistas.