SOCIEDADE DO CONSUMO E ESG NA MODA

ENTRE A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO E A CONSTRUÇÃO DE UM FUTURO ÉTICO

Authors

  • Bruna Kummer Pontifícia Universidade Católica de Campinas
  • Pollyana Cristhine Dias Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Keywords:

ESG, SOCIEDADE DE CONSUMO, CONDIÇÕES DE TRABALHO, MEIO AMBIENTE

Abstract

O presente trabalho visa examinar, à luz dos direitos humanos, os impactos ao meio ambiente e à precarização do trabalho resultantes da Sociedade de Consumo. No conceito de consumismo em um mercado globalizado, característico da sociedade do consumo, cabe uma diferenciação entre o consumo e o consumismo: o  consumo se dá de forma orgânica em razão da necessidade de subsistência do indivíduo, enquanto, o consumismo é decorrente de uma construção social de excesso por meio das publicidades e das redes sociais. Na sociedade do consumo há uma mercadorização da vida, por um anseio de consumo. Assim, surge o ciclo de  “comprar, desfrutar e descartar”, o que resulta em impactos ambientais catastróficos. Para atender a essa demanda, surge o fast-fashion no mundo da moda, oferecendo peças de baixo custo e descarte rápido, renovadas constantemente. A busca incessante por redução de custos, visando apenas o lucro, e ao mesmo tempo busca oferecer uma diversidade de produtos, resulta em impactos sociais negativos nas condições de trabalho e salários, bem como ao meio ambiente. Assim, cabe a reflexão acerca do equilíbrio, em que se possa, de maneira consciente, adquirir produtos sem que haja uma parte prejudicada, tanto em termos sociais quanto em termos ambientais. Neste contexto, enquadra-se o conceito de ESG (Environmental, Social e Governance), que avalia empresas sob a ótica da sustentabilidade e responsabilidade corporativa. Essas ações podem ser uma maneira de mitigar a mentalidade da sociedade do consumo, que se depara com obsolescência tanto percebida quanto programada, que são mecanismos para que sempre haja a contínua busca por atualização, tanto para suprir um desejo de ego ou pela baixa durabilidade do produto, que se apresenta como uma barreira à prosperidade de ações como o Slow Fashion. Nesse sentido, levanta-se a hipótese-tentativa de que as ações associadas ao ESG são um caminho para mitigar os impactos nas condições de trabalho e no meio ambiente gerados pela sociedade do consumo no mercado da moda. Os resultados esperados apontam que a inércia tanto das empresas quanto do Estado, não contribuem para uma sociedade mais consciente e para evitar a precarização do trabalho, violando as disposições da OIT que se dedica a promover justiça social e os direitos humanos na relação de trabalho, já que a sociedade de consumo inviabiliza o trabalho digno. Além disso, os objetivos da Agenda 2030 da ONU no tema 8 sobre o Trabalho decente e crescimento econômico, evidencia a necessidade de erradicar o trabalho análogo a escravidão não se esquecendo do desenvolvimento econômico. Ainda, o descarte constante descumpre a Declaração de Estocolmo em relação a preservação ambiental e o tema 13 da Agenda 2030 da ONU, que aborda a Ação como mudança global do clima e o direito à informação e ao consumo consciente como uma dimensão emergente dos direitos sociais,  dessa forma são necessárias ações para remoldar a relação das pessoas com a moda e o poder de compra, valorizando a qualidade e durabilidade dos produtos, bem como a ética dos meios de produção e responsabilização pelos impactos ambientais.

Published

2025-10-03

Issue

Section

Simpósio On79 - DIREITOS HUMANOS E A INDÚSTRIA DA MODA MUNDIAL