A BIOECONOMIA DA COP30

O CONFLITO ENTRE O MODELO DESENVOLVIMENTISTA DA AMAZONIA E A SOCIOBIOECONOMIA TRADICIONAL

Authors

  • Mimon Peres Medeiros Neto Centro Universitário do Pará
  • Bruna KleinKauf Machado Centro Universitário do Pará

Keywords:

Amazônia, Sociobioeconomia, Desenvolvimento sustentável, Justiça socioambiental, Direitos Humanos

Abstract

OBJETO DA PESQUISA: O objeto desta pesquisa consiste seguinte questionamento: no em que medida as estratégias de bioeconomia promovidas no contexto da COP30, centradas em soluções tecnocêntricas, contribuem efetivamente para a construção de um modelo de desenvolvimento sustentável genuinamente amazônico, ou apenas reiteram lógicas coloniais e desenvolvimentistas historicamente impostas à região? Como eixo analítico, tem-se dois paradigmas distintos de desenvolvimento para a Amazônia: de um lado, a bioeconomia tecnocientífica que instrumentaliza a biodiversidade como ativo estratégico para os mercados verdes globais, e de outro, a sociobioeconomia tradicional, que propõe uma alternativa baseada na valorização dos saberes ancestrais, na diversidade cultural e na centralidade da floresta em pé como fundamento ontológico e produtivo (Menezes, 2020; UNDP, 2024). JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA TEMÁTICA: Tendo em vista que a escolha de Belém como sede da COP30 reposiciona a Amazônia como território estratégico nas disputas globais em torno da crise climática e da transição ecológica, esta pesquisa justifica-se pela urgência de tensionar criticamente os modelos desenvolvimentistas em disputa na região, apontando as epistemologias e práticas da sociobioeconomia como alternativas contra-hegemônicas, fundadas na justiça socioambiental, no bem viver e na autodeterminação dos povos da floresta. OBJETIVOS: Tem-se como objetivo geral analisar criticamente as disputas em torno da bioeconomia no contexto da COP30, evidenciando as tensões entre o modelo desenvolvimentista tecnocêntrico historicamente aplicado à Amazônia e as propostas contra-hegemônicas de sociobioeconomia ancoradas nos saberes tradicionais e na justiça territorial. Especificamente, busca-se (i) examinar os sentidos atribuídos à bioeconomia no contexto amazônico, diferenciando a perspectiva tecnocientífica da abordagem sociobioeconômica; (ii) analisar as contradições e conflitos em torno da implementação da bioeconomia no marco da COP30, com ênfase na participação das populações tradicionais nos processos decisórios; e (iii) avaliar o potencial da sociobioeconomia como paradigma alternativo de desenvolvimento, comprometido com a valorização da sociobiodiversidade, a equidade territorial e a sustentabilidade ecológica. METODOLOGIA UTILIZADA NA REALIZAÇÃO DA PESQUISA: Trata-se de uma pesquisa de natureza pura, de caráter exploratório, com abordagem qualitativa e método dedutivo. A análise será teórica, fundamentada em revisão bibliográfica e documental, com foco nos discursos, políticas e programas relacionados à bioeconomia no contexto da COP30. O objetivo é interpretar criticamente as disputas entre o modelo desenvolvimentista tecnocêntrico e a sociobioeconomia tradicional na Amazônia. HIPÓTESE: Parte-se, portanto, da hipótese de que a bioeconomia institucional tende a reproduzir formas renovadas de extrativismo, em oposição à sociobioeconomia tradicional, que se configura como alternativa contra-hegemônica baseada na justiça socioambiental, na pluralidade epistêmica e na valorização dos saberes ancestrais. RESULTADOS PARCIAIS: Tendo em vista que a pesquisa ainda está em fase de desenvolvimento, observa-se, pela análise preliminar das fontes bibliográficas e documentais, que, embora haja um esforço de reposicionamento da Amazônia como uma solução para a crise climática, as propostas oficiais ainda operam majoritariamente dentro de uma lógica tecnocêntrica e mercadológica, pouco comprometida com a justiça territorial e a autodeterminação dos povos da floresta. Logo, há uma urgência de aprofundar a investigação sobre os limites e potencialidades da sociobioeconomia como paradigma alternativo, capaz de articular sustentabilidade ecológica, equidade social e reconhecimento epistêmico.

Published

2025-10-03

Issue

Section

Simpósio On62 - OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E DIREITOS HUMANOS