A INTERSECCIONALIDADE RAÇA, GÊNERO E CLASSE NO FUTEBOL BRASILEIRO
Palavras-chave:
Futebol, Interseccionalidade, Raça, Genero, ClasseResumo
No Brasil, o futebol ocupa um lugar que extrapola as quatro linhas. Celebrado como elemento de identidade nacional, o futebol brasileiro, traz em si as marcas profundas das opressões estruturais, tais como o colonialismo, os 300 anos de escravidão e o desenvolvimento tardio do capitalismo, periférico e dependente que marcaram sua formação social brasileiro. Este artigo analisa como os determinantes sociais de raça, gênero e classe estão encrustados e se entrelaçam na construção histórico-social e nas dinâmicas contemporâneas do futebol no Brasil. A relevância do tema se justifica pela centralidade que o futebol ocupa na cultura brasileira, tanto no imaginário coletivo quanto na produção de sentidos sobre identidade, pertencimento e mobilidade social. Ao mesmo tempo, evidencia-se que esse campo não se constitui como espaço neutro, mas, sim, como uma arena de reprodução das contradições estruturais da sociedade. Trata-se, portanto, de compreender o futebol não apenas como direito humano ou expressão cultural, mas como campo atravessado pela luta de classes e pelos processos de dominação e resistência, que dão forma às expressões da “questão social” no país. A partir do materialismo histórico dialético e dialogando criticamente com a perspectiva da interseccionalidade, a análise foi construída a partir da pesquisa bibliográfica, documental e de dados secundários. Parte-se da hipótese de que o futebol, embora projetado como espaço de integração e mobilidade, não rompe com as determinações estruturais que conformam a sociedade brasileira. Ao contrário, reproduz cotidianamente processos de racialização, de exclusão das mulheres e de naturalização das desigualdades de classe, tanto nas práticas institucionais dos clubes e das federações, quanto nas narrativas midiáticas e nas relações que se estabelecem no cotidiano do esporte. O estudo demonstra que o racismo, a misoginia, o machismo e a desigualdade de classe se manifestam e persistem no futebol como expressões da “questão social”, embora permanentemente tensionadas pelas resistências que emergem dos sujeitos, coletivos e movimentos que disputam a hegemonia dos sentidos e espaços do futebol brasileiro na atualidade. Os resultados parciais da análise indicam que, embora haja avanços importantes nas pautas antirracistas, feministas e de democratização do futebol, as estruturas de poder que operam nesse campo seguem profundamente atravessadas pelas lógicas do capital, do racismo estrutural e do patriarcado. Este artigo, portanto, busca contribuir para ampliar o debate sobre as contradições que estruturam o futebol brasileiro, evidenciando que sua história e sua contemporaneidade são, também, expressão concreta da questão social no Brasil.