VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS EM SILOS DE GRÃOS

INVISIBILIDADE DAS VÍTIMAS, NEGLIGÊNCIA INSTITUCIONAL E AUMENTO DOS CASOS EM 2025

Autores

  • Keila Machado da Silva 55.052.453 KEILA MACHADO DA SILVA - ME

Palavras-chave:

DIREITOS HUMANOS, SILOS AGRÍCOLAS, INVISIBILIDADE SOCIAL, ACIDENTES DE TRABALHO, ANÁLISE DE SENTIMENTOS

Resumo

Esta pesquisa investiga os acidentes fatais em ambientes de armazenagem de grãos no Brasil, especialmente silos agrícolas, sob a perspectiva dos direitos humanos. O estudo parte da constatação de que a maioria das vítimas é composta por jovens trabalhadores, frequentemente sem nenhum conhecimento dos riscos a que estão expostos. Em diversos casos, como na explosão de Palotina (PR) em 2023, observa-se que a maioria das vítimas era composta por trabalhadores terceirizados, muitos dos quais eram imigrantes. Esse padrão evidencia a vulnerabilidade de grupos sociais invisibilizados. A ausência de informação, a informalidade, a terceirização e a omissão estatal configuram um quadro de violação sistemática de direitos fundamentais à vida, à dignidade e à segurança no trabalho. A justificativa para o estudo reside no aumento expressivo das mortes em 2025, já ultrapassando 60 vítimas apenas no primeiro semestre, conforme levantamento feito a partir de notícias jornalísticas. O objetivo desta pesquisa é identificar os fatores que contribuem para a ocorrência de acidentes fatais em silos de grãos, analisando o papel da negligência institucional, a invisibilidade das vítimas e os padrões de cobertura jornalística sobre esses eventos. O número de mortes reais é estimado como muito superior ao noticiado, em razão da subnotificação e das falhas no registro via Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), frequentemente imprecisa ou manipulada. A coleta de dados foi realizada com base em fontes jornalísticas. A metodologia inclui análise qualitativa do conteúdo noticioso com uso de técnicas de mineração de texto, como análise de sentimentos e emoções (com modelos baseados em Hugging Face Transformers – RoBERTa), modelagem de tópicos (BERTopic), reconhecimento de entidades nomeadas (spaCy) e construção de um dicionário de linguagem associada a violações de direitos humanos. As hipóteses iniciais apontam que há um padrão recorrente de negligência empresarial, ausência de fiscalização efetiva e retrocesso normativo, que favorecem a perpetuação das mortes em silos. Os resultados parciais indicam que a cobertura jornalística usa de informação concisa confundindo os termos “engolfamento” e “soterramento”. A análise de sentimentos aplicada às 124 notícias coletadas mostrou que aproximadamente 78% dos textos apresentaram tonalidade negativa evidenciando uma forte carga emocional apenas quando o evento ganha visibilidade midiática. A classificação temática, realizada por meio do algoritmo BERTopic, revelou que 54% das reportagens abordaram diretamente acidentes com vítimas humanas, enquanto 30% trataram de incêndios em instalações agrícolas e os 16% restantes ficaram fora desses clusters. Outro dado relevante diz respeito à idade média das vítimas analisadas, que foi de 38,5 anos, com muitos sendo arrimo de família, reforçando o impacto sobre uma população majoritariamente jovem. Além disso, apenas 62% das notícias analisadas apresentaram linguagem relacionada a direitos humanos, evidenciando o caráter predominantemente técnico e despersonalizado da cobertura. Essa forma de relato jornalístico reforça a invisibilidade social dessas populações e a naturalização das tragédias no setor. Com base nas evidências reunidas, sustenta-se que o atual vácuo regulatório contribui diretamente para a repetição de tragédias evitáveis, e que a simples existência de tecnologia não garante sua adoção sem medidas efetivas de responsabilização, conscientização e mudança legislativa.

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio P21 - VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS EM CONTEXTOS DE DESASTRES CRIADOS