A COSTURA DA MEMÓRIA MEMÓRIA DA LUTA
O ENCONTRO COM A AS MULHERES ATINGIDAS DE GESTEIRA – BARRA LONGA/MG
Keywords:
1. Gesteira 2. Memória 3. Reparação integral 4. Desastre de Fundão 5. Representação Estético-política.Abstract
A comunidade de Gesteira está localizada no município de Barra Longa, Minas Gerais, e tem sofrido com as consequências do desastre-crime provocado pela Samarco, Vale e BHP Billiton em virtude do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorrido em 05 de novembro de 2015. Parte de seu território, localizado na margem direita do rio Gualaxo do Norte, foi completamente destruído pela lama de rejeitos. No conturbado processo da reparação integral - mesmo transcorridos quase 10 anos desde o rompimento - as mulheres de Gesteira têm protagonizado a luta pela retomada de seus modos e projetos de vida, dentre elas a do direito por um reassentamento coletivo. Neste contexto, este trabalho tem como objetivo geral bordar a memória do encontro, que se estende por quase 10 anos, entre o Grupo de Estudos e Pesquisas Socioambientais da Universidade Federal de Ouro Preto (GEPSA/UFOP) e as mulheres de Gesteira, registrado num acumulado de reuniões, assembleias, audiências, oficinas e festas compartilhados. Retalhos que se embaraçam e se entrelaçam por emaranhados de fotos, áudios, vídeos e anotações. Do objetivo geral, depreendem-se objetivos específicos que buscam: dar visibilidade à luta das mulheres de Gesteira com ênfase no processo de elaboração do Plano Popular do Reassentamento Coletivo de Gesteira (PPRCG); e experimentar formas de representação estético-políticas que dêem materialidade ao encontro dos saberes das pesquisadoras do GEPSA/UFOP com o das mulheres atingidas de Gesteira. A relevância deste trabalho se deve à necessidade de dar visibilidade ao cotidiano de luta dessas mulheres, majoritariamente, invisibilizado pelos discursos hegemônicos das empresas responsáveis pelo desastre-crime e pela condução do processo de reparação. Assim como os demais trabalhos do GEPSA/UFOP, esta proposta se ancora no método cartográfico, inspirado na filosofia de Gilles Deleuze e Félix Guattari, que busca romper com a cisão entre pesquisador/a e objeto de pesquisa já que todas/os fazem parte de um mesmo processo costurado pela dupla afetação. Processo que, de fio em fio, de retalho em retalho, de afeto em afeto, costura a relação entre academia e povo, entre academia, povo e luta.