VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
O ADITIVO EXCLUDENTE DA CIDADANIA
Abstract
Pensar hermeneuticamente os alicerces da cidadania feminina que compõem nossa sociedade, nos remete a buscarmos na historicidade social, os arcabouços teóricos e práticos da origem da democracia ocidental. Democracia, que desde seu início, legitimava aspectos excludentes da figura da mulher na participação da vida pública, que eram reproduzidos também em sua vida domiciliar. Desta forma, no período de consolidação dos aparatos democráticos, encontrávamos várias facetas discriminatórias, desde acepções culturais e econômicas, até questões sociais e religiosas, que foram solidificadas nas arquitraves ideológicas da hegemonia conservadora masculina. A estrutura conservadora, reproduzia a vida pública no âmbito dos seus lares no sentido patriarcal. Assim, como a mulher não possuía direito democrático ou simplesmente não podia exercer a cidadania em sua vida cotidiana, da mesma forma, esse direito era sequestrado dentro de sua residência. A violação dos direitos instaurada no domicílio de cada mulher, realizava a parte de doutrinação e domesticação feminina, deixando claro nas entrelinhas, a resposta de que a sociedade não estava pronta para conceder a emancipação e a cidadania feminina. Em consequência, temos um mal social instaurado, que se banalizava por via da violência doméstica, que operava como fator contributivo para a continuidade da exclusão feminina de sua cidadania. Perante a disseminação da banalidade do mal proferido em nossa sociedade, nosso objeto de estudo, se torna uma busca hermenêutica da cidadania, como um conceito que jamais alcançou as mulheres, tento como um dos fatores aditivos para o insucesso, a violência doméstica, a qual reflete a violência social. Como objetivos, precisamos constatar a violência doméstica como fator contributivo e excludente de gênero na constituição do conceito de cidadania. Diante disso, verificar os caminhos que a cidadania percorreu em sua historicidade, na amplitude de suas constituições para uma violência de gênero. Assim, apresentar possíveis soluções para amenizar e equalizar divergências da gênese causadora da violência doméstica e excludente no engendramento do conceito de cidadania. A referência metodológica será estruturada pela pesquisa qualitativa. Com a pesquisa bibliográfica descritiva, fazer o levantamento teórico de vários paradigmas históricos de aspectos relevantes sobre a construção do conceito de ‘cidadania’, encontrando como pano de fundo, a violência doméstica relatada nos espaços educacionais. A técnica de coleta de dados, será realizada no espaço escolar de uma instituição de educação pública de Ensino Médio, na periferia do Distrito Federal, na modalidade de Educação de Jovens e Adultos. Conjuntamente, a observação e sessões de reflexão se realizará entre professores e estudantes, auxiliando a sistematização da atividade. Portanto, as questões identitárias constituídas ao longo do processo de humanização das pessoas, perpetram estruturas constituintes do condicionamento social. A banalização do mal revertido pela violência doméstica, favorece a hegemonia masculina sobre a violação dos direitos femininos. Com punição real aos infratores dos direitos básicos destinados a qualquer pessoa, principalmente as mulheres, e munidos pela reflexão e a conscientização de toda sociedade, criaremos um espaço emancipatório para a verdadeira condição de qualquer pessoa exercer com plenitude sua cidadania.