UMA OUTRA POSSÍVEL INTERPRETAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS EM RISCO DIANTE DAS AMEAÇAS DO TERROR

Autores

  • Oswaldo Pereira de Lima Junior Universidade Federal do Rio Grande do Norte
  • Benedito Fonseca e Souza Adeodato Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO

DOI:

https://doi.org/10.29327/1163602.7-424

Palavras-chave:

INTERPRETAÇÃO, DIREITOS HUMANOS, TERRORISMO, TOLERÂNCIA, UBUNTU

Resumo

O ensaio tem por objeto desbravar, ainda que tão somente a título descritivo e exemplar, os caminhos historicamente percorridos no Ocidente pelas demonstrações de atos de terror, seja como forma de revolta contra a opressão dos explorados contra os exploradores, seja como forma de domínio do Estado sobre seus súditos. Parte do pressuposto inicial de que o enfrentamento ao terrorismo internacional se tornou preocupação de segurança na agenda global, impulsionado, em grande medida, pelos atentados de 11/9/2001 e pelas pressões norte-americanas por um firme engajamento da comunidade internacional em tal sentido. O texto se propõe a refletir sobre o terror como prática e o discurso sobre o terror. A separação dessas ações é fundamental para a compreensão da prática terrorista e para a análise dos discursos construídos sobre o terrorismo. Feito isso, será possível entender as questões políticas e ideológicas que estão por trás das práticas e discursos sobre o terror. Assim sendo, estar-se-á mais apto a questionar, lutar e compreender por que tantas pessoas matam e morrem por determinadas causas, sejam elas políticas, religiosas, econômicas ou culturais. O estudo aponta ser mais que necessário a sociedade compreender as ideologias que movem as práticas terroristas e os discursos construídos sobre essas práticas, na medida em que, a cada ano que passa, a humanidade se sente mais acuada e receosa, temerosa de ataques com armas de destruição em massa. O terrorismo é um tipo específico de violência. Mas outras tantas violências fazem parte do nosso dia a dia seja nas grandes cidades ou não. Toda essa violência afronta diretamente o conjunto de direitos conquistados ao longo da história, através das sucessivas lutas e resistência contra a opressão. A saída é o resgate inclusivo dos Direitos Humanos. A questão é que os Direitos Humanos, tal como tradicionalmente concebidos, já revelam uma relação de conquistador/conquistado, incivilizado/civilizado, vítima/salvador. O caminho da paz requer, necessariamente, o reconhecimento do Outro e o diálogo entre as culturas, sem o tacão da dominação ou do ódio, elementos estimuladores do terror. Utilizando-se do método hipotético-dedutivo e pela utilização de referências bibliográficas, os autores trazem a lume diversos exemplos de como o terror tem feito parte da vida dos povos, mas oferecem o que pode ser uma alternativa ética a partir do contexto ético dos povos tradicionais da África subsaariana, traduzido como Ubuntu, um modo de viver comunitário e de tolerância. Repensar os direitos humanos significa considerar a ideia de direitos humanos como produto de um desenvolvimento inclusivo e global, que considere a existência e participação de mais de um ator social habilitado e uma sociedade cujo signo seja o da solidariedade e da tolerância nesse processo. O texto conclui que o caminho da paz requer, necessariamente, o reconhecimento do Outro e o diálogo entre as culturas, sem o tacão da dominação ou do ódio, elementos estimuladores do terror.

Publicado

31.12.2022