POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL

IMPACTOS E TENSÕES DA PANDEMIA NA PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA/CRAS

Autores

  • Valeria Cristina da Costa UNESP FRANCA

DOI:

https://doi.org/10.29327/1163602.7-493

Palavras-chave:

proteção social; pandemia; pobreza; políticas públicas.

Resumo

Este trabalho objetiva discutir sobre os impactos e as tensões provocadas pela pandemia aos processos de trabalho dos Centros de Referência de Assistência Social/Proteção Social Básica da Política de Assistência Social, tendo como exemplificação territorial o município de Maringá/Paraná/Brasil, nosso objeto de discussão as estratégias políticas no enfrentamento às expressões da questão social manifestadas na pandemia. A sociedade acometida pelas incertezas do momento, pelo desemprego e subemprego, a ausência e péssimas condições de moradia e de saneamento básico, foram sucumbidos pelas consequências da pandemia e maciçamente acessaram os CRAS, desconhecendo a perspectiva de direito, mas reproduzindo o discurso assistencialista da procura por ajuda. Outro ponto, refere-se as condições éticas e técnicas adequadas ao exercício das profissões, a capacidade humana e física em atender esse fluxo de trabalho com dignidade nesse período. A sociedade foi aviltada, sem a cobertura do Estado para dar respostas rápidas às desproteções sociais atingiu frontalmente o tecido social, pois os efeitos foram desproporcionais nos territórios precarizados e mais uma vez a omissão não exclusivamente quanto ao financiamento, o governo Federal cerceou políticas públicas voltadas a Assistência Social e demais políticas públicas, instaurando em definitivo crises sociais, econômicas, culturais, políticas para além da crise sanitária. No entanto, em nosso país, o presidente desde o início, minimizou a gravidade e os preceitos científicos, em que os efeitos foram nocivos nos aspectos letais da Covid 19, essa incúria nos trouxe consequências incalculáveis. Feitas essas considerações, reconhecida a extensão do problema e a relevância de debater sobre essa temática e, em inferência  a esse quadro caótico, multiplicou-se a demanda da Assistência Social, com dados de famílias com renda de até meio salário-mínimo atendidas nos CRAS no referido município, tendo como fonte os registros do sistema de informação local: destacamos a ascensão: ano de 2017: 19.843, já em 2018: 24.225, no ano de 2019 foi o único que diminuiu para 22.779, em 2020 o número chegou a 27.276 e em 2021 tivemos o número drástico de 34.719 famílias, ou seja, em cinco anos tivemos o aumento de 14.876 famílias que precisaram acessar os serviços dos CRAS e, diante dessas circunstâncias, instaurou o desafio de implantar ações imediatas para adaptar a rede de proteção social no contexto emergencial, a fim de mitigar os reflexos da crise e impactos gerados com o agravamento das vulnerabilidades e riscos sociais, em virtude do aumento das famílias em situação de pobreza. Quanto ao traçado metodológico utilizamos a pesquisa qualitativa, com fase exploratória e uso de fontes bibliográficas e documentais. Dessa forma, aguardamos que esta pesquisa produza resultados de interesse coletivo aos trabalhadores do SUAS e aos/as cidadãos/ãs, para que juntos, tenham os ideais democráticos atentos às questões públicas, para que estejam informados sobre os acontecimentos políticos, para o desempenho do seu papel em busca ao acesso às políticas públicas, na luta pelos direitos humanos e pela garantia da proteção social sem nenhum retrocesso.

Publicado

31.12.2022