O ENCARCERAMENTO DE GESTANTES E LACTANTES

A VIOLÊNCIA DE GÊNERO NAS PENITENCIÁRIAS FEMININAS DA CIDADE DE SÃO PAULO

Autores

  • Isadora Azevedo Dario Universidade Presbiteriana Mackenzie

DOI:

https://doi.org/10.29327/1163602.7-128

Palavras-chave:

: MULHERES ENCARCERADAS, GÊNERO, SISTEMA PENITENCIÁRIO, GESTANTES E LACTANTES

Resumo

Muito se discute acerca das violações de direitos fundamentais no sistema carcerário brasileiro, porquanto ainda que as penitenciárias tenham o dever de restringir apenas a liberdade do apenado, o que se constata são afrontas constantes à dignidade da pessoa humana. Além das condições serem precárias, os estabelecimentos prisionais foram criados por homens e pensados para homens, o que tornou o corpo masculino a “medida de todas as coisas”, invisibilizando uma parte significativa da população encarcerada: as mulheres (COLARES E CHIES, 2010). Ao observar o encarceramento feminino, o que se percebe é a ausência de garantias de forma ainda mais cruel e evidente, uma vez que suas especificidades de gênero não são observadas, condicionando-as a uma dupla violência que inferioriza constantemente suas características próprias (PEREIRA; SANTORO, 2018). O Estado tem encarcerado a maioria das apenadas em espaços que representam os restos do sistema prisional masculino, em que as celas ou as alas que antes comportavam homens passam a ser chamadas de “femininas” sem receber adaptação apropriada (COLARES E CHIES, 2010). Do número total de penitenciárias brasileiras, apenas 7% são femininas e 17% são mistas, sendo que 90% dos estabelecimentos mistos são considerados inadequados para gestantes e lactantes, assim como 49% das exclusivamente femininas (RUEDIGER, SANCHES, 2018). A problemática se escancara ao perceber que os improvisos estatais não são capazes de atender as particularidades de uma mulher, como alterações hormonais, menstruação, gravidez, saúde mental, higiênica e ginecológica – mesmo havendo previsão legal. Ainda, as questões envolvendo a maternidade não envolvem apenas os direitos da genitora, mas também dizem respeito à proteção do infante e da estrutura familiar. É diante desse contexto que o presente estudo tem como foco as condições oferecidas às gestantes e às lactantes na Penitenciária Feminina da Capital e na Penitenciária Feminina de Sant’Anna, ambas do município de São Paulo. O objetivo é analisar a estrutura oferecida e verificar se atendem as necessidades desse grupo minoritário, haja vista que um dos estabelecimentos foi primordialmente construído para encarcerar homens.  Em suma, evidencia-se a hipótese de que as condições são inapropriadas, corroborando com a violência de gênero. A pesquisa é exploratória, qualitativa e avançará por meio de fontes bibliográficas e de pesquisa de campo. A coleta de dados primários ocorrerá através de um questionário objetivo encaminhado à administração das penitenciárias mencionadas. Uma análise descritiva será realizada a partir das respostas obtidas, sendo possível traçar um panorama da realidade enfrentada pelas gestantes/lactantes encarceradas na cidade de São Paulo.

Publicado

31.12.2022