FEMINISMO NEGRO E CATEGORIAS FREIREANAS NA EDUCAÇÃO EM DIREITOS
DOI:
https://doi.org/10.29327/1163602.7-250Palavras-chave:
Feminismo Negro. Filosofia Freireana. Educação Popular. EDH - Educação em Direitos Humanos.Resumo
O presente artigo é parte da pesquisa de Doutorado cujo objeto são os contornos da liberdade, concretos e teóricos, e sua interlocução com as diferentes dimensões da Educação em Direitos. A interdisciplinaridade da pesquisa, a qual perpassa as áreas da Educação, da Sociologia e do Direito, exige o diálogo permanente entre as categorias teóricas estudadas e as dinâmicas da realidade cotidiana. Parte deste trabalho teórico foi desenvolvido no âmbito do Coletivo Vivências Feministas, grupo de estudos virtual formado majoritariamente por mulheres desenvolvido no período de 2020-2022 e ativo até a atualidade, resultando no Curso de Formação em Feminismo Negro para Educadores Populares. Na pesquisa de doutoramento, Paulo Freire é a principal referência teórica na seara da Filosofia da Educação, por suas categorias dialéticas e aplicações práticas na realidade que destacam a importância do trabalho pedagógico com a população. Neste sentido, considera-se de grande importância o esforço dialógico entre a filosofia freireana e as teorias das feministas negras que emergiram nas últimas décadas do séc. XX no Brasil e no Mundo. Suas teorias destacam as interseccionalidades que atravessam a realidade das mulheres negras, muitas vezes as matriarcas das famílias de baixa renda brasileiras, permitindo interpretar a realidade da população sob a ótica das necessidades e conquistas destas mulheres. Metodologicamente, as principais categorias freireanas foram revisitadas dialogicamente em face das categorias e reflexões das autoras brasileiras Lélia Gonzales, Djamila Ribeiro e Carolina Maria de Jesus, especialmente, bem como em face das teorias das demais feministas negras de outras nacionalidades e suas significativas contribuições à matéria. Objetiva-se aprofundar as reflexões sobre as opressões específicas vivenciadas pelas mulheres negras em seu cotidiano, dificultando seu acesso à educação e demais direitos humanos, destacando caminhos e possibilidades para os trabalhos de Educação Popular e Educação em Direitos para esta parcela da população. Parte-se da hipótese de que compilar e articular dialogicamente estes pensamentos pode facilitar a inclusão e reconhecimento das mulheres negras em projetos educativos e ambientes escolares, ampliando suas chances de libertação das múltiplas opressões que as acometem cotidianamente.