A TEORIA DO JULGAMENTO DE H.ARENDT E AS POLÍTICAS PUBLICAS NA ÁREA DA CULTURA
UM REDIMENSIONAMENTO SOB A INSPIRAÇÃO DA PROPOSTA APRESENTADA PELO PAPA FRANCISCO PARA A RELAÇÃO ENTRE A IGREJA E A ARTE
Keywords:
TEORIA DO JULGAMENTO, ARENDT, CULTURA, ARTE, PAPA FRANCISCOAbstract
A teoria do julgamento político, que tem em H.Arendt e sua releitura da Crítica do Juízo de Kant, é um ponto de partida teórico interessante para pensar as políticas culturais e o seu papel político. Com efeito, uma das questões que se coloca é de que forma as várias expressões culturais podem exercer um papel de esclarecimento político, sem recair no proselitismo político. O exemplo da forma como o Papa Francisco contribui para um redimensionamento do papel da Arte em sua relação com a Igreja Católica é bem representativo de como o estímulo à produção cultural não precisa fazer propaganda ou tomar posição em favor de um posicionamento político ou ideológico e mesmo assim exercer um papel político relevante no debate público. Os objetivos pretendidos são, primeiramente, apresentar alguns conceitos mais relevantes da Teoria do Julgamento Político na sua formulação a partir de Kant e Arendt, permitindo na sequencia, a partir do posicionamento com relação à cultura e à arte por parte do Papa Francisco, como é possível suscitar um engajamento político e social pela arte, que não seja de propaganda, mas que esteja comprometida com o “pensamento alargado”. A metodologia utilizada implicou a pesquisa bibliográfica e pesquisa virtual para acesso aos discursos e encíclicas do Papa Francisco. A hipótese inicial seria de que seria possível pensar uma política cultural que contribua para a educação política, sem que ela implique necessariamente em proselitismo político. Considera-se que a liberdade de expressão cultural é um direito fundamental previsto na Constituição Brasileira e de que é importante pensar políticas de estímulo à produção cultural, sem recair na propaganda política. O resultado final, obtido a partir do aprofundamento teórico da leitura da contribuição de Hannah Arendt e da análise do caso concreto que envolve a proposta do Papa Francisco para redimensionar o papel da arte e da cultura com a Igreja, nos permitiu comprovar que, efetivamente, é possível produções culturais e artísticas que suscitem uma reflexão política, sem que isso signifique a adoção de um posicionamento político ideológico ou partidário.