ADESÃO À PUERICULTURA

DESAFIOS PARA A EQUIDADE E INTEGRALIDADE NO PRIMEIRO NÍVEL DE ATENÇÃO EM UBERLÂNDIA-MG, BRASIL, EM 2024 E 2025

Authors

  • Priscila Castro Cordeiro Fernandes Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales

Keywords:

PRIMEIRO NIVEL DE ATENÇÃO À SAUDE, DIREITOS HUMANOS, PUERICULTURA, SAUDE DA CRIANÇA

Abstract

Objeto do estudo: este estudo tem como objeto a adesão às consultas de puericultura no contexto do Primeiro Nível de Atenção à Saúde e suas implicações na promoção da saúde infantil e na organização dos serviços de Saúde. Justificativa: as consultas de puericultura são fundamentais para o crescimento e desenvolvimento saudável das crianças, configurando-se como um direito garantido por lei e um dever do Estado. No escopo da Atenção Primária à Saúde (APS), essas consultas permitem a prevenção de agravos, o fortalecimento do vínculo com a família e a oferta de cuidado integral. No entanto, a baixa adesão a esse acompanhamento tem contribuído para o aumento da demanda por atendimentos em serviços de urgência, muitas vezes por condições que poderiam ser prevenidas ou manejadas na APS. Essa realidade expõe fragilidades estruturais, sociais e culturais que comprometem a efetividade do cuidado e sobrecarregam o sistema de saúde. Compreender os fatores que levam à ausência nas consultas de puericultura é essencial para desenvolver políticas públicas mais eficientes e estratégias de enfrentamento que garantam o cuidado contínuo e equitativo à infância. Objetivo: descrever os fatores relacionados à adesão às consultas de puericultura e sua associação com a busca por atendimento em serviços de urgência pediátrica, em Uberlândia-MG, nos anos de 2024 e 2025. Metodologia: estudo observacional, transversal, descritivo, com abordagem epidemiológica analítica. A amostra foi composta por 306 pais, mães ou responsáveis por crianças atendidas em unidades de pronto atendimento em Uberlândia-MG, extraída de um universo de 1.454 indivíduos, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 5%. Os dados foram coletados por meio de questionário estruturado, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, e analisados estatisticamente à luz das políticas públicas de saúde infantil. Resultados e Discussão: entre os 306 entrevistados, 42,8% relataram que seus filhos já faltaram a pelo menos uma consulta de puericultura. Nesses casos, observou-se maior frequência de atendimento em serviços de urgência, com valores médios mais altos do que no grupo que compareceu regularmente. O teste de Mann-Whitney apontou tendência de associação entre ausentismo e maior uso do pronto-socorro. As principais causas dos atendimentos foram febre (61,1%), bronquiolite (43,4%) e quedas (30,5%). Os entrevistados também apontaram consequências da ausência: risco de atraso vacinal (57,9%), retardo no diagnóstico de doenças preveníveis (53,4%) e prejuízos no controle de doenças crônicas (27%). Conclusão: a adesão às consultas de puericultura e o consequente uso excessivo de serviços de urgência revelam lacunas na efetivação do direito à saúde infantil. É urgente implementar políticas públicas que incentivem a puericultura, ampliem o acesso e valorizem o Primeiro Nível de Atenção como espaço estratégico e organizativo de cuidado integral. O acompanhamento contínuo desde os primeiros anos é essencial para garantir equidade, sustentabilidade e o cumprimento dos direitos humanos.

Published

2025-10-06

Issue

Section

Simpósio P36 - DIREITOS HUMANOS E SAÚDE NA CONTEMPORANEIDADE: DESAFIOS EPISTEMOL