CONTRATOS CONSCIENTES E LINGUAGEM SIMPLES

ACESSIBILIDADE E HUMANIZAÇÃO NO DIREITO

Autores

  • Fernanda Guerra UNESA

Palavras-chave:

LINGUAGEM SIMPLES; CONTRATOS CONSCIENTES; DIREITO CONTRATUAL; ACESSO À JUSTIÇA

Resumo

A Linguagem Simples vem ganhando espaço nas discussões jurídicas ao destacar o afastamento da população provocado pela escrita excessivamente formal, repleta de jargões técnicos, que dificulta a compreensão das decisões judiciais e compromete o desenvolvimento da cidadania. O presente artigo tem como objeto a análise da aplicação da Linguagem Simples na elaboração de contratos, a partir da abordagem dos Contratos Conscientes, desenvolvida pelas advogadas Linda Alvarez e J. Kim Wright. A pesquisa parte da constatação de que a linguagem excessivamente técnica e formal nos documentos jurídicos tradicionais dificulta o acesso à justiça. Justifica-se a relevância do tema diante da necessidade de regeneração do sistema jurídico brasileiro, que ainda se sustenta numa mentalidade mecanicista e hierarquizada, afastando-se da complexidade das relações contemporâneas e reforçando exclusões sociais. Os contratos convencionais geram medo, desconfiança e dificultam o protagonismo e autonomia dos envolvidos, tornando-se obstáculos à justiça. O objetivo deste estudo é analisar criticamente a construção tradicional dos documentos legais e demonstrar como a abordagem dos Contratos Conscientes, alinhada à Linguagem Simples, pode transformar o modo como as relações jurídicas são construídas. A metodologia adotada é qualitativa e empírica, baseada em análise bibliográfica de autores do Direito, Linguagem Simples, Comunicação Não Violenta e Legal Design, combinada à reflexão crítica sobre práticas jurídicas tradicionais e exemplos práticos da aplicação dos Contratos Conscientes. Parto da hipótese de que, ao criarmos uma ponte entre a Linguagem Simples e uma abordagem relacional na elaboração dos contratos, somos capazes de promover maior compreensão, confiança e equidade nas relações que estão sob a tutela de um contrato, fortalecendo o capital humano e social do acordo, e assim contribuindo para uma justiça mais inclusiva e efetiva. Empiricamente, os resultados indicam que os Contratos Conscientes favorecem a criação de documentos claros, autênticos e funcionais, que servem como guias relacionais ao reconhecerem as diferenças culturais e individuais. Desta forma, geram autonomia, minimizam conflitos e sustentam relações duradouras. Concluo que a adoção da Linguagem Simples no Direito Contratual atravessa a questão técnica e torna-se uma exigência ética e social. Os operadores do Direito são convocados a atuar como agentes de transformação, abrindo espaço para um sistema jurídico que reflita a complexidade das relações humanas e a diversidade cultural, rompendo com a lógica de exclusão e opressão. Os Contratos Conscientes se mostram como um caminho de mudança de paradigmas ao promoverem o diálogo e a sustentabilidade relacional.

Publicado

06.10.2025

Edição

Seção

Simpósio On96 - LEGAL DESIGN E LINGUAGEM SIMPLES JURÍDICA