COMO ERA ANTES E COMO FICOU? REPERCUSSÕES OCASIONADAS AOS ACOMPANHANTES DE INTERNAÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA NA PEDIATRIA

Autores

  • Thaís Cavalcanti Marques UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - UFRJ

Palavras-chave:

CUIDADO, TRABALHO DO CUIDADO, DIREITO AO CUIDADO, POLÍTICA DE SAÚDE E CUIDADORES, DIVISÃO SEXUAL RACIAL DO TRABALHO

Resumo

O trabalho tem como objetivo discorrer sobre as repercussões ocasionadas pelo trabalho do cuidado referente à dinâmica de cuidadoras/acompanhantes em internações de longa permanência na pediatria, em hospital de nível terceário do Sistema de Saúde Público brasileiro, localizado na região sudeste do país. Para a sua formulação, foram utilizados resultados da tese intitulada: “Acompanhantes em internações prolongadas na pediatria: uma discussão sobre o trabalho do cuidado e políticas públicas”, realizada pelo Programa de Pós-Graduação da Escola Nacional de Saúde Pública Ségio Arouca (ENSP/FIOCRUZ), que teve como campo de pesquisa o Instituto de Puericultura Martagão Gesteira (IPPMG/UFRJ). É uma pesquisa qualitativa, com inserção no campo pesquisado pela técnica de entrevista em história oral temática, empregada com o apoio teórico do conceito de narrativas de vida. Os resultados do estudo foram avaliados pela hermenêutica-dialética. Os objetivos específicos são: Traçar o perfil dos acompanhantes das internações de longa permanência no IPPMG/UFRJ; Identificar os principais fatores que modificam o cotidiano dos acompanhantes e suas principais demandas durante o período das internações de longa permanência no IPPMG/UFRJ; Mapear as formas de acesso destes acompanhantes aos seus direitos em distintas áreas no período das internações de longa permanência no IPPMG/UFRJ. Como hipóteses iniciais, é posto que mulheres têm assumido o papel de cuidadoras em internações pediátricas de longa permanência por motivos diversos, incluindo econômicos e sociais, e a insuficiência de legislações que respaldem os cuidadores que acompanham as internações de longa permanência. Questões norteadoras da pesquisa foram: Há Políticas Públicas atualmente para respaldarem os acompanhantes nas internações de longa permanência? Quais são os fatores que influenciam na decisão de que membro da família ou rede social de apoio vai acompanhar os usuários nas internações de longa permanência? Quais são os efeitos das internações de longa permanência na situação socioeconômica das famílias e nos projetos individuais de seus membros? Os resultados mostraram que a maioria das cuidadoras são mulheres, negras e pardas e que desistem de seus objetivos de vida para viverem em prol do cuidado dos filhos enfermos, e mesmo elas sendo oneradas por esse processo, não possuem respaldo de políticas públicas. É imperioso definir o direito ao cuidado constitucionalmente, enquadrando-o como integrante do Sistema de Seguridade Social Brasileiro como um quarto pilar. Com isso, é possível a formulação de um Sistema Integrado e Interseccional do Cuidado, que poderia colocar em prática o Plano Nacional Intersseccional de Cuidado, o qual servirá como base para que os municípios idealizem seus programas e projetos dessa temática. Todas essas iniciativas são pertinentes para suscitar legislações específicas para os cuidadores/acompanhantes das internações de longa permanência, pois mesmo estando realizando o processo de cuidado dos filhos na unidade hospitalar, esses atores sociais também sofrem impactos na sua existência, tanto em relação à rotina quanto em relação ao planejamento dos seus objetivos de vida.

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio P07 - DIREITOS HUMANOS: EQUIDADE NA DIFERENÇA