MULHERES DE FAVELA E O CUIDADO COMO ATO POLÍTICO

RESISTÊNCIA, REDES E DIREITOS HUMANOS

Autores

  • Nilza Rogéria de Andrade Nunes

Palavras-chave:

Mulheres de favela, Cuidado como direito, Feminismo Negro, Direitos humanos, Pesquisa-ação participativa

Resumo

Objeto da pesquisa: A pesquisa tem como objeto a atuação de 30 mulheres que exercem lideranças comunitárias em favelas e periferias da cidade do Rio de Janeiro e Região Metropolitana. Trata-se de mulheres negras, mães e chefes de família que, reconhecidas como referências locais, constroem redes de cuidado, solidariedade e articulação política para o enfrentamento das desigualdades e da negação sistemática de direitos nos territórios populares. Nomeadas neste estudo como "Mulheres de Favela", suas práticas revelam estratégias cotidianas de resistência, apoio mútuo e afirmação dos direitos humanos. Justificativa da relevância temática: Em contextos de segregação socioespacial e aprofundamento das desigualdades – agravadas durante e após a pandemia da COVID-19 – torna-se urgente reconhecer e visibilizar o protagonismo feminino na produção de respostas coletivas às múltiplas formas de violação de direitos. A pesquisa parte de inquietações sobre a efetivação dos direitos humanos entre populações vulnerabilizadas e da necessidade de compreender o cuidado como trabalho e como direito, no interior de territórios historicamente marginalizados. A abordagem adota marcos do feminismo negro e da perspectiva decolonial para compreender como raça, gênero, classe e território estruturam não apenas as opressões, mas também os modos de resistência (Crenshaw, 1989; Gonzalez, 1984; Collins, 2009; Davis, 2016; Lugones, 2014). Objetivos: O objetivo geral é contribuir para a visibilidade da atuação de lideranças femininas na articulação de redes de cuidado em favelas e periferias. Os objetivos específicos são: Investigar as estratégias de mobilização e acolhimento utilizadas por essas lideranças; Sistematizar suas agendas de enfrentamento dos marcadores sociais das desigualdades que afetam corpos racializados e feminizados; Fortalecer ações comunitárias de promoção da saúde ancoradas nos saberes populares e nas práticas territoriais. Metodologia: A pesquisa utiliza a abordagem da pesquisa-ação participativa, com métodos mistos e enfoque na construção coletiva do conhecimento. A amostra é composta por 30 lideranças femininas (20 da cidade do Rio de Janeiro e 10 da Região Metropolitana). A coleta de dados é realizada por meio de entrevistas semiestruturadas, rodas de conversa e observação participante. A análise é fundamentada em referenciais interseccionais, decoloniais e nos estudos sobre cuidado e justiça social. Resultados parciais: Os dados preliminares indicam que 94% das participantes são negras, 84% são mães, e 58% são as principais provedoras de suas famílias. Elas atuam em áreas como saúde, educação, assistência social, meio ambiente e cultura, e todas participam de redes coletivas. Entre os principais desafios enfrentados estão: a sobrecarga do trabalho de cuidado, a insegurança alimentar, o desemprego, a violência doméstica e as ações repressivas do Estado. As lideranças articulam práticas de escuta, acolhimento e mediação comunitária, revelando formas de cidadania insurgente. O cuidado, nesse contexto, é também resistência, ação política e prática de reafirmação dos direitos humanos nos territórios populares.

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio P07 - DIREITOS HUMANOS: EQUIDADE NA DIFERENÇA