DIREITO AO TRABALHO E À SAÚDE
BURNOUT E ASSOCIAÇÕES COM HABILIDADES SOCIAIS, COPING E VARIÁVEIS SÓCIO-OCUPACIONAIS DOCENTES
Palavras-chave:
BURNOUT, HABILIDADES SOCIAIS, COPING, PROFESSORES, BRASILResumo
Refletir sobre indicadores de saúde mental no trabalho é um debate primordial no âmbito da cidadania e da transformação social, visto que na Declaração Universal dos Direitos Humanos (Organização das Nações Unidas, 1948) vários artigos discorrem sobre condições laborais justas e favoráveis (artigos 23 e 24) e o direito a cuidados de saúde e bem-estar que todas as pessoas têm (artigo 25). Em atenção aos Direitos Humanos, este estudo foi desenvolvido em escolas públicas do interior de Minas Gerais, Brasil e teve como principal objetivo verificar as relações entre síndrome de burnout, repertório de habilidades sociais, estratégias de coping e variáveis sócio-ocupacionais docentes. Participaram desta investigação 166 professores com idades entre 23 e 65 anos, sendo 73% do sexo feminino. Para mensuração das variáveis foram utilizados o Inventário da Síndrome de Burnout (ISB), o Inventário de Habilidades Sociais 2 (IHS-2), o Inventário de Estratégias de Coping (IEC) e um questionário, desenvolvido para este estudo, contemplando perguntas sobre o perfil socio-ocupacional dos professores. Os resultados das análises quantitativas foram obtidos por meio do Statistical Package for the Social Sciences e indicaram correlação negativa entre a síndrome de burnout e o repertório de habilidades sociais (r = -0,273 e p < 0,01) nos docentes. Quanto às estratégias de coping adotadas pelos professores correlacionaram positivamente com o repertório elaborado de habilidades sociais a busca de suporte social, a resolução de problemas e a reavaliação positiva. Ademais, constatou-se correlação positiva entre o escore geral de coping e o fator realização profissional do ISB, indicando que professores que adotaram variadas estratégias de enfrentamento apresentaram tendência a sentirem-se realizados profissionalmente, apesar do cansaço laboral. Neste estudo, as variáveis preditoras do burnout foram, respectivamente, idade, estado civil, provimento familiar, número de filhos, tempo de serviço na docência, tratamento contínuo de saúde e desenvoltura social. A partir da análise dos resultados, discutiu-se a relevância de desenvolver ações de promoção e proteção à saúde mental no contexto escolar, especialmente, voltadas para os professores, além de identificar o papel protetivo das habilidades sociais e estratégias de coping para o bem-estar docente.