INCLUSÃO E DIVERSIDADE NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

POR UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA INCLUSIVA E HUMANIZADA

Autores

  • Carolina Paioli Tavares Universidade Estadual de Ponta Grossa

Palavras-chave:

Inclusão, Educação Física, Diversidade, Escola

Resumo

Com o advento da inclusão nas aulas de educação física no Brasil, crianças e adolescentes com deficiência tem tido oportunidades ampliadas de participação em atividades de esporte, lazer e recreação. Porém, a história nos mostra que nem sempre foi assim. A educação física, assim como outras áreas da saúde, foi fortemente influenciada pelo modelo médico ao longo da história. O modelo médico contribuiu para que seres humanos fossem “classificados” em categorias em virtude de patologias apresentadas reforçando estereótipos negativos desses indivíduos. Não por acaso, os tratamentos baseados no modelo médico tornaram-se associados com as práticas de segregação e de aprisionamento e se tornaram um dos principais motivos de exclusão escolar no mundo. Baseado nessas informações, esse estudo, de cunho qualitativo, objetiva apresentar a relação entre os principais marcos legais acerca da inclusão na legislação brasileira, os benefícios da inclusão nas aulas de educação física nas escolas e também os desafios de uma prática pedagógica humanizada e inclusiva de professores de educação física. No que diz respeito à inclusão, foi somente a partir da publicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional em 1996 (LDBEN 9.394/1996), que as escolas públicas brasileiras foram desautorizadas a negar a matrícula de crianças com deficiência nas suas unidades, fossem elas municipais, estaduais ou federais. Dessa forma, a LDBEN visava garantir o cumprimento do amplo e irrestrito acesso à escola pública e gratuita sem que houvesse qualquer distinção ou discriminação quanto à condição intelectual, física ou sensorial desses indivíduos. A partir desse momento, o ambiente educacional brasileiro, que historicamente foi moldado para atender os socialmente privilegiados, teve que reorganizar sua estrutura física, administrativa e docente com o objetivo de atender a demanda educacional e social dos considerados “excluídos”. Posteriormente, em 2015, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI 13.146/2015) ajudou a reforçar os direitos de inclusão social e cidadania plena referente a questões básicas como, a não discriminação, direito à vida, habilitação e reabilitação, saúde, moradia, educação, trabalho, assistência social, previdência social, cultural, esporte, lazer, entre outras, que referem-se à dignidade e espaço como cidadãos na sociedade. No que diz respeito ao espaço escolar, embora essas demandas estejam parcialmente atendidas nas escolas públicas atualmente, muitos educadores ainda se questionam sobre a qualidade das aulas que os alunos com deficiência recebem. Esse questionamento está fundamentado no fato de que a educação física, historicamente, foi marcada por uma cultura esportivista/tecnicista a qual contemplava corpos considerados fortes ou saudáveis através de práticas pedagógicas que privilegiava os mais habilidosos, prática essa considerada excludente. Atualmente, a presença de conteúdos diversificados no currículo pode servir como importante ferramenta para a inclusão através de práticas pedagógicas que atendam à diversidade humana, de forma que essas práticas contemplem a potencialidade e a especificidade de cada criança. Conclui-se que, assim, a educação física na escola tem potencial para contribuir para que o debate sobre o respeito às diferenças, à condição física, à diversidade de corpos, gênero e sexualidade ocorram de forma mais humanizado através de práticas pedagógicas efetivamente inclusivas.

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio P30 - EDUCAÇÃO ESCOLAR E DIREITOS HUMANOS: PRÁTICAS PEDAGÓGICAS HUMANIZ