O IMPACTO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PARA ALÉM DOS SERES HUMANOS
UMA VISÃO ECOCÊNTRICA DA PROBLEMÁTICA
Palavras-chave:
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, ANIMAIS, NATUREZA, COBALTOResumo
A inteligência artificial avançou desde 1950, quando Alan Turing levantou a questão se as máquinas poderiam pensar. Ao longo de milhares de anos, o homo sapiens busca entender como o cérebro pensa e age. “O campo da inteligência artificial, ou IA, vai ainda mais além: ele tenta não apenas compreender, mas também construir entidades inteligentes – máquinas que conseguem. computar como agir de modo eficaz e seguro em uma grande variedade de novas situações”.[1] A ascensão da IA preocupa pelos efeitos potencialmente nocivos aos homens, contudo, negligencia na pesquisa quanto aos animais e à natureza. DaMatta enfatiza que a Mãe-Terra está em processo de extinção: “nossa transcendente obsessão tecnocrática tem sido básica para o bem-viver, tornando normal e aceitável o homicídio do planeta”[2]. A escala de destruição - milhões de árvores cortadas, vilas devastadas, ar e rios poluídos e solos férteis tornados inférteis – em nome da “energia sustentável”, não tem paralelo no mundo contemporâneo como acontece no coração da África. Na República Democrática do Congo, a atividade mineradora para a extração do cobalto, componente essencial em quase todas as baterias de lítio recarregáveis feitas hoje e que são usadas em smartphones, tablets, laptops e veículos elétricos tem colocado Katanga em evidência, que tem mais reservas de cobalto que a combinação de todo o resto do planeta. Nenhum outro lugar no mundo tem sido tão severamente explorado, escravizando sua população, como quando da extração de marfim, óleo de palma, diamantes, madeira e borracha nos períodos coloniais. Tesla, Daimler, Apple, Samsung são empresas que divulgam a preocupação na produção que respeite os direitos humanos e o meio ambiente. Não obstante, a exploração de crianças e miseráveis na mineração do cobalto é ofuscada pelas inúmeras camadas presentes na cadeia de produção. Milhares de árvores são destruídas, com perda significativa de habitat. Em paralelo, milhões de pessoas ao redor do mundo têm sua vida cotidiana dependente desse metal para otimizar a duração das baterias recarregáveis dos seus celulares. O objetivo do trabalho é abordar, ainda que em bases iniciais, quais os impactos que a IA causa no meio ambiente e nos animais, em especial, os grandes símios uma vez que a destruição da floresta tropical tem levado à morte de chimpanzés e gorilas. O que justifica o presente estudo é a necessidade de se pensar a relação homem-natureza-animal e como a IA pode impactar a vida na sua integralidade. O suporte argumentativo parte do conceito amplo de IA de Russel e Norvig; na questão animal, da campanha The Forest is Calling de Jane Godall, mas principalmente do livro investigativo de Siddhath Kara, Cobalt Red, em que afirma que “our daily lives are powered by a human and environmental catastrofe in the Congo”. A metodologia usada é a revisão bibliográfica integrativa, fase inicial de pesquisa.