TEMPO É DINHEIRO? DEPENDE DO SEU SEXO
Palavras-chave:
divisão sexual do trabalho, trabalho doméstico, trabalho de cuidados, empobrecimento femininoResumo
A pesquisa busca, a partir de dados secundários retirados do portal Retrato das Desigualdades de Raça e Gênero do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e à luz da Psicodinâmica do Trabalho Feminino, traçar um panorama da divisão sexual do trabalho no Brasil, mostrando seu impacto Desigual entre mulheres e homens. O estudo tem relevância temática por aprofundar, a partir de dados, a compreensão sobre os tipos de tarefas e volume de tempo dedicado por mulheres a atividades realizadas em prol do coletivo, particularmente de seu parceiro, filhos, pessoas doentes e idosos, além de gestão do domicílio, e que muitas vezes sequer são reconhecidas como trabalho. Esse estudo foi feito a partir da análise de dados secundários disponibilizados pelo IPEA a partir de informações produzidas pela PNADC do IBGE, referentes a 2022, particularmente dados do Bloco 5 - Trabalho Doméstico e de Cuidado Não Remunerado. Foram analisados recortes como cor/raça, faixa de renda, região, número e idade dos filhos, e tempo semanal de trabalho remunerado, possibilitando conhecer a realidade das mulheres em relação a de homens em situações similares. Parte-se da hipótese de que a divisão sexual do trabalho, historicamente moldada por estruturas patriarcais e reforçada culturalmente, impõe sobre as mulheres uma carga desproporcional de trabalho não remunerado, gerando impactos diretos em sua saúde física e mental, autonomia e condições laborais (Antloga et al., 2020; Federici, 2019; Dorna, 2018; Dejours, 2022). Resultados parciais: As mulheres sem filhos dedicam cerca de 21,8 horas semanais a atividades domésticas e de cuidado, aumentando para 29,2 horas com três ou mais filhos e 29,9 horas quando há crianças até 3 anos. Em contraste, homens dedicam apenas cerca de 12,5 horas, independentemente do número de filhos e de sua idade. Mulheres negras enfrentam ainda maior carga: no Nordeste, dedicam em média 24,1 horas semanais, mais que o dobro do tempo dos homens negros (12 horas) na região. Em relação aos trabalhos de cuidado (auxiliam no cuidado de pessoas - alimentação, banho, remédio; auxiliam em atividades educacionais; ler, jogar, brincar; monitorar ou fazer companhia; transportar ou acompanhar para escola, médico etc), 38% das mulheres negras e 31,7% das brancas realizam atividades de cuidado, contra 23,8% dos homens negros e 22,9% dos brancos. Nos afazeres domésticos (limpeza, alimentação, roupas, organização, cuidar de animais), 92,4% das mulheres negras e 90,9% das brancas participam, em comparação a 79% dos homens negros e 80,6% dos brancos. Conclusão: De acordo com a Oxfam (2020), o trabalho não remunerado das mulheres corresponde a US$ 10,8 trilhões por ano globalmente. No Brasil, isso reflete no empobrecimento feminino: a renda média das mulheres equivale a 79% da dos homens, e acima dos 60 anos cai para 66% (IBGE, 2022). Dar visibilidade a essas condições é essencial para sensibilizar a sociedade e mobiliza-la a buscar soluções para reduzir desigualdades.