TEMPO É DINHEIRO? DEPENDE DO SEU SEXO

Autores

  • Adriana Krieger Fioravanti Barbosa Universidade de Brasília
  • Verônica Lima UnB - Universidade de Brasília

Palavras-chave:

divisão sexual do trabalho, trabalho doméstico, trabalho de cuidados, empobrecimento feminino

Resumo

A pesquisa busca, a partir de dados secundários retirados do portal Retrato das Desigualdades de Raça e Gênero do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e à luz da Psicodinâmica do Trabalho Feminino, traçar um panorama da divisão sexual do trabalho no Brasil, mostrando seu impacto Desigual entre mulheres e homens. O estudo tem relevância temática por aprofundar, a partir de dados, a compreensão sobre os tipos de tarefas e volume de tempo dedicado por mulheres a atividades realizadas em prol do coletivo, particularmente de seu parceiro, filhos, pessoas doentes e idosos, além de gestão do domicílio, e que muitas vezes sequer são reconhecidas como trabalho. Esse estudo foi feito a partir da análise de dados secundários disponibilizados pelo IPEA a partir de informações produzidas pela PNADC do IBGE, referentes a 2022, particularmente dados do Bloco 5 - Trabalho Doméstico e de Cuidado Não Remunerado. Foram analisados recortes como cor/raça, faixa de renda, região, número e idade dos filhos, e tempo semanal de trabalho remunerado, possibilitando conhecer a realidade das mulheres em relação a de homens em situações similares. Parte-se da hipótese de que a divisão sexual do trabalho, historicamente moldada por estruturas patriarcais e reforçada culturalmente, impõe sobre as mulheres uma carga desproporcional de trabalho não remunerado, gerando impactos diretos em sua saúde física e mental, autonomia e condições laborais (Antloga et al., 2020; Federici, 2019; Dorna, 2018; Dejours, 2022). Resultados parciais: As mulheres sem filhos dedicam cerca de 21,8 horas semanais a atividades domésticas e de cuidado, aumentando para 29,2 horas com três ou mais filhos e 29,9 horas quando há crianças até 3 anos. Em contraste, homens dedicam apenas cerca de 12,5 horas, independentemente do número de filhos e de sua idade. Mulheres negras enfrentam ainda maior carga: no Nordeste, dedicam em média 24,1 horas semanais, mais que o dobro do tempo dos homens negros (12 horas) na região. Em relação aos trabalhos de cuidado (auxiliam no cuidado de pessoas - alimentação, banho, remédio; auxiliam em atividades educacionais; ler, jogar, brincar; monitorar ou fazer companhia; transportar ou acompanhar para escola, médico etc), 38% das mulheres negras e 31,7% das brancas realizam atividades de cuidado, contra 23,8% dos homens negros e 22,9% dos brancos. Nos afazeres domésticos (limpeza, alimentação, roupas, organização, cuidar de animais), 92,4% das mulheres negras e 90,9% das brancas participam, em comparação a 79% dos homens negros e 80,6% dos brancos. Conclusão: De acordo com a Oxfam (2020), o trabalho não remunerado das mulheres corresponde a US$ 10,8 trilhões por ano globalmente. No Brasil, isso reflete no empobrecimento feminino: a renda média das mulheres equivale a 79% da dos homens, e acima dos 60 anos cai para 66% (IBGE, 2022). Dar visibilidade a essas condições é essencial para sensibilizar a sociedade e mobiliza-la a buscar soluções para reduzir desigualdades.

Biografia do Autor

Adriana Krieger Fioravanti Barbosa, Universidade de Brasília

Servidora pública do Banco Central do Brasil (BCB) desde 2006, com graduação em Engenharia Civil (UnB, 2001) e Psicologia (UniCEUB, 2018). Estudante de psicanálise desde 2017, pós-graduada em Psicanálise (Constituição do sujeito e intervenções: teoria e prática psicanalítica (2022, 360 horas). Trabalhou de 2011 a 2024 com educação financeira e inclusão financeira no BCB, com ênfase em saúde financeira e bem-estar financeiro a partir de 2023. Mãe de duas meninas. Mestranda em Psicologia Clínica e Cultura na UnB desde 2025, faz parte do grupo de pesquisa Psicodinâmica do Trabalho Feminino- Psitrafem,  da UnB.

Verônica Lima, UnB - Universidade de Brasília

Especialista em Segurança Pública e Cidadania pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília - UNB (2015) e possuo uma primeira graduação em Comunicação Social (Faculdades Integradas ICESP - 2005). Entre os anos de 2010-2020 trabalhei no Instituto de Pesquisa Economica Aplicada - IPEA, atuando na área administrativa e produzindo artigos em parceria com pesquisadores, com publicações na área de diversidade e inclusão - Racismo Institucional. Em contato com o IPEA, participei como ouvinte de seminários promovidos pela Instituição, conferências sobre desenvolvimento do Brasil e entendi que poderia acrescentar ou ajudar nas questões relacionadas ao desenvolvimento do país. Entre 2020-2022 atuei na área de Participação Social ao fazer parte da Ouvidoria Fazendária do Estado de Goiás. Em 2023 fiz parte da equipe da Diretoria de Avaliação, Monitoramento e Gestão do Conhecimento, dentro do Ministério da Igualdade Racial, onde tive contato com profissionais da pesquisa renomados voltados à questão racial. Atualmente estudo Psicologia no Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) e faço parte do Grupo de Estudos e Pesquisas em Psicodinâmica do Trabalho Feminino (UNB), liderado pela pesquisadora Dr. Carla Sabrina Xavier Antloga (http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do). Tenho interesse em estudos voltados às questões de Saúde Mental, Mulher e Mercado de Trabalho; Diversidade e Inclusão; Mulheres em Espaços de Liderança; Mulheres e Dinheiro; Racismo Institucional; Desenvolvimento Humano; Ciência do Bem-Estar.

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio On131 - TRABALHO FEMININO E DIREITOS HUMANOS