MODA E O ESPELHO DISTORCIDO DO DIGITAL

COMO A CULTURA VIRTUAL E AS NOVAS TECNOLOGIAS (RE)DEFINEM A ESTÉTICA, O CONSUMO E OS LIMITES ÉTICOS DA INDÚSTRIA

Autores

  • Jucy Claire Balbi Ordem dos Advogados do Brasil

Palavras-chave:

MODA DIGITAL; INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL; PRIVACIDADE; ÉTICA; SUSTENTABILIDADE

Resumo

A indústria da moda se encontra em um ponto de inflexão, profundamente moldada pela cultura virtual e pela ascensão de novas tecnologias, como a Inteligência Artificial (IA) e o Metaverso. Tal transformação digital não redefine a estética e o consumo, além de desafiar os limites éticos e as implicações para os direitos humanos, sobretudo no que concerne à privacidade de dados e à ética digital. O objeto desta pesquisa é analisar como a integração dessas tecnologias na moda, ao criar um "espelho distorcido do digital", impacta a autonomia, a dignidade e a equidade dos indivíduos. A justificativa da relevância temática reside na urgência de se investigar as consequências da hiper-personalização impulsionada pela IA e da imersão em ambientes virtuais, que, embora promissores, podem inadvertidamente gerar novas formas de exclusão e controle. É crucial discutir como a massiva coleta e análise de dados pessoais, base para algoritmos de recomendação, levanta sérias questões sobre a privacidade do consumidor e a manipulação sutil de comportamentos. A opacidade algorítmica pode, sutilmente, reforçar padrões estéticos e de consumo homogêneos, impactando a diversidade, a liberdade de expressão e até mesmo a saúde mental. Essa manipulação se estende à dimensão da sustentabilidade, onde a IA, sem a devida ética e transparência, pode otimizar campanhas de marketing que beiram o greenwashing, criando uma falsa percepção de responsabilidade ambiental e social sem o devido lastro em práticas reais e sustentáveis. Os objetivos deste trabalho são: (a) identificar as principais intersecções entre cultura digital, novas tecnologias e a indústria da moda, com foco nos impactos éticos e de privacidade; (b) analisar os riscos e oportunidades que surgem desses novos paradigmas, especialmente em relação à proteção dos dados e à autonomia dos indivíduos; e (c) propor diretrizes para o desenvolvimento de uma "moda digital" que seja responsável e eticamente alinhada aos princípios de sustentabilidade. A metodologia utilizada na realização da pesquisa será de natureza exploratória-descritiva, baseada em revisão bibliográfica sistemática de literatura acadêmica sobre moda digital, ética em IA, privacidade de dados e direitos humanos no contexto tecnológico. Serão examinados exemplos e tendências do uso de IA e ambientes virtuais na moda para ilustrar os desafios e as possíveis soluções. As hipóteses iniciais sugerem que, sem marcos regulatórios e uma cultura de responsabilidade digital efetivos, a proliferação dessas tecnologias pode aprofundar desigualdades e comprometer direitos fundamentais, exigindo uma redefinição do conceito de moda ética, que se estenda à sustentabilidade digital. Espera-se que os resultados parciais obtidos demonstrem a necessidade imperativa de se estabelecerem estruturas de governança ética para a IA e o Metaverso na moda, incluindo princípios de transparência algorítmica, direito à explicabilidade das decisões automatizadas e o respeito à privacidade desde a concepção ("privacy by design"). Este caminho é crucial não apenas para proteger os dados e a autonomia do consumidor, mas também para combater o greenwashing digital e garantir que a inovação na moda seja verdadeiramente compatível com a dignidade humana, a elegância da ética e a prática da sustentabilidade.

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio On79 - DIREITOS HUMANOS E A INDÚSTRIA DA MODA MUNDIAL