RACISMO CONTRA NIPO-BRASILEIROS
SILÊNCIO E APAGAMENTO
Palavras-chave:
Direitos Humanos, Racismo, NipodescendentesResumo
Este trabalho se propõe a tratar sobre o racismo e a discriminação em razão de origem e características físicas contra nipodescendentes no Brasil. Embora o país concentre a maior colônia de japoneses e seus descendentes fora do Japão, além de imigrantes de outros países asiáticos, apenas 0,4% da população brasileira é amarela, segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística – IBGE. Apesar de ser efetivamente minoria, a população amarela no Brasil vivencia um processo de apagamento do racismo e da discriminação em razão de suas características físicas e da sua origem, que permanece afastado dos debates jurídicos e acadêmicos sobre o antirracismo. Essa invisibilidade afeta a elaboração e aplicação de políticas públicas de igualdade racial a pessoas amarelas e eventuais medidas de reparação por violações cometidas pelo Estado brasileiro contra japoneses e seus descendentes nos anos da Segunda Guerra Mundial. Nesse sentido, este trabalho busca identificar a ocorrência de episódios de racismo contra pessoas amarelas e seus descendentes em diferentes regiões do Brasil e a (in)suficiência do tratamento dado pela legislação e justiça brasileiras para o seu enfrentamento no contexto dos direitos humanos. Para tanto, serão levantados dados quantitativos e qualitativos, por meio da aplicação de questionários estruturados e entrevistas em profundidade e possíveis histórias de vida com nipo-brasileiros, que serão contatados a partir de suas associações regionais (Associação Pan Amazônia Nipo Brasileira; Bunkyo Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa; Associação Cultural Japonesa do Recife; e Associação Nipo-Brasileira de Maringá). Por pressuposto (hipótese), este trabalho, que se encontra em andamento, antevê a caracterização, de forma frequente, de racismo recreativo em relação às características físicas, nomes e costumes contra nipodescendentes em diversas circunstâncias da vida social que, por questões culturais, não são levados à Justiça por japoneses que vivem no Brasil, seus filhos e netos. Esses aspectos culturais, aliados ao apagamento do racismo contra pessoas amarelas, podem explicar o cenário de ausência de políticas públicas para combatê-lo.