ESPAÇOS DE ACOLHIMENTO NA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS - UNICAMP
GESTÃO DE CONFLITOS E PROMOÇÃO DE BEM ESTAR INSTITUCIONAL
Keywords:
ESPAÇOS DE ACOLHIMENTO, SAÚDE MENTAL, GESTÃO DE CONFLITOS, ESCUTA QUALIFICADA, CULTURA DE PAZAbstract
Este trabalho apresenta a implantação dos Espaços de Acolhimento (EAs) na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), como resposta institucional aos desafios contemporâneos de convivência no ambiente universitário. O objeto da pesquisa é a criação de dispositivos institucionais voltados à escuta qualificada, imparcial e sigilosa de membros da comunidade acadêmica, com foco na gestão de demandas, conflitos, crises e orientações internas e externas. A relevância da proposta está respaldada na crescente diversidade do meio universitário, tradicionalmente reconhecido como espaço de liberdade de pensamento, pluralidade de ideias e produção de conhecimento, e que vem enfrentando impactos significativos - como os intensificados pela pandemia de COVID-19 - sobre a saúde mental e as interações sociais no cotidiano acadêmico. O objetivo é institucionalizar práticas de escuta e mediação como estratégias de promoção da cultura de paz, de melhoria do clima organizacional e de prevenção de crises. A metodologia foi organizada em três etapas: (1) diagnóstico institucional e escuta das unidades interessadas; (2) desenvolvimento de um Programa de Capacitação (18 horas, em seis módulos) com temas como escuta empática, comunicação assertiva, direitos humanos e procedimentos operacionais; (3) implantação dos espaços com triagem e acompanhamento dos atendimentos via formulário eletrônico, além de reuniões mensais de formação continuada com os acolhedores. Foram realizados encontros temáticos sobre gênero, saúde mental, política de permanência, acolhimento a alunos indígenas, autistas e trans, entre outros. Os dados coletados até maio de 2025 mostram 17 atendimentos; em 2024, foram 107; em 2023, 37; e em 2022, 41. A tendência é que, com o fortalecimento das ações de prevenção, a recorrência de conflitos seja reduzida. A coleta de dados foi qualitativa e quantitativa, considerando volume de atendimentos, tipo de encaminhamentos e retorno das partes. É importante destacar que os números apresentados podem variar, pois estão condicionados às informações repassadas pelas diversas unidades e órgãos. Atualmente, os Espaços de Acolhimento estão presentes em 20 Unidades de Ensino e Pesquisa, no PROFIS, no CEL, na SVC, com previsão de expansão para o HC, CAISM, DEEDUC (Cotuca, Cotil e Dedic) e demais unidades. Há 132 acolhedores capacitados. Os resultados indicam impacto positivo no acolhimento e resolução de conflitos, redução de retrabalho entre órgãos, economia institucional e melhoria no clima organizacional. Conclui-se que os Espaços de Acolhimento são dispositivos estratégicos para a gestão integrada de conflitos e promoção de um ambiente mais saudável, inclusivo e respeitoso, baseado em escuta e diálogo.