HORIZONTES DE DIGNIDADE
OFICINA DE PROJETO DE VIDA COM ADOLESCENTES EM VULNERABILIDADE SOCIAL SOB A PERSPECTIVA DA PEDAGOGIA SOCIAL E DOS DIREITOS HUMANOS
Palavras-chave:
PEDAGOGIA SOCIAL;, DIREITOS HUMANOS;, PROJETO DE VDA;, ADOLESCENTES;, VULNERABILIDADE SOCIAL;Resumo
As desigualdades socioeconômicas e culturais impactam de maneira profunda a trajetória de adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social, comprometendo o pleno exercício de seus direitos e restringindo a construção de projetos de vida dignos e autônomos. Nesse contexto, a interface entre a Pedagogia Social e os Direitos Humanos configura-se como um eixo estratégico para o desenvolvimento de práticas educativas emancipadoras.
Neste trabalho, a Pedagogia Social é compreendida como um campo transdisciplinar e interventivo, que promove processos educativos voltados para a ampliação das oportunidades de inserção social e fortalecimento da autonomia dos sujeitos. Essa perspectiva transforma a vulnerabilidade social em uma categoria analítica e política, que demandam ações intencionais, planejadas e metodologicamente fundamentadas para a superação das desigualdades.
Os Direitos Humanos são abordados como um horizonte ético, político e jurídico que orienta a ação educativa, estabelecendo parâmetros indispensáveis para a garantia da dignidade, liberdade e igualdade, conforme preceitos de documentos internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e a Convenção sobre os Direitos da Criança (1989). Esses marcos reforçam a compreensão da adolescência como uma etapa do desenvolvimento que requer proteção, promoção de direitos e estímulo à participação ativa e ao protagonismo infantojuvenil.
A oficina “Projeto de Vida” é analisada como um dispositivo metodológico fundamental para viabilizar esses objetivos, ao criar espaços coletivos e participativos nos quais adolescentes podem refletir criticamente sobre suas trajetórias, elaborar metas pessoais e desenvolver competências socioemocionais essenciais para a construção de futuros possíveis.
Este estudo adota uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e interventivo, e analisa as experiências de oficinas realizadas com 32 adolescentes, com idades entre 12 e 14 anos, participantes de um projeto social em uma comunidade marcada por contextos de vulnerabilidade e risco social. Entre os principais impactos observados destacam-se: o fortalecimento da autoestima e da identidade, a ampliação da consciência crítica sobre direitos e cidadania, o desenvolvimento de competências socioemocionais para a participação social e a elaboração de projetos de vida capazes de transcender as limitações impostas pelas condições socioeconômicas adversas.
Conclui-se que a interface entre a Pedagogia Social e os Direitos Humanos é fundamental para a construção de práticas socioeducativas capazes de promover a emancipação e a dignidade de adolescentes em contextos vulneráveis. As oficinas “Projeto de Vida” revelam-se, nesse sentido, uma estratégia pedagógica transformadora, que não apenas previne situações de risco, mas amplia significativamente as possibilidades de inserção social, política e cultural desses sujeitos. O presente trabalho contribui para o debate internacional sobre Direitos Humanos e Educação, ao propor um modelo de intervenção socioeducativa comprometido com a justiça social e com um desenvolvimento humano pleno e sustentável.