ANÁLISES SOBRE A SUBJETIVIDADE AFRODESCENDENTE JOVEM A PARTIR DO PROJETO EDUCAFRO

Authors

  • Cristina Hashizume UEPB/ UNIFESP

Keywords:

racialidade; subjetividade; Saúde mental; educação básica;

Abstract

O presente trabalho trata da formação protagonista do jovem negro de periferia da região Metropolitana de São Paulo (SP_ Brazil). O Brazil, em se tratando de um país colonizado, apresenta marcas e práticas de mandonismo, personalismo e coronelismo, o que impede acesso democrático aos diferentes espaços institucionais. A partir de discussões sobre a decolonialidade e Direitos Humanos, problematizamos o processo de formação da subjetividade afrodescendente a partir de relatos de coordenadores da ONG EDUCAFRO, organização educacional comunitária que atua na Grande São Paulo-Brazil. A partir de autores como Fanon, Matos & Souza (2022) e outros que se debruçam sobre o racismo, decolonialidade e suas relações com a produção de conhecimento no sul e formação de subjetividades objetivamos compreender, a partir do relatos de gestores do referido projeto, as principais dificuldades que jovens negros da periferia de São Paulo (SP, Brazil) passam para se perceberem como empreendedores. Buscamos, especificamente, analisar histórias em particular a partir de aspectos subjetivos, familiares e sócio-culturais baseados numa perspectiva colonialista brasileira, no que tange à garantia de condições psiquicamente saudáveis na formação e na atuação de jovens descendentes de povos originários. A partir da análise de tais casos, apresentamos, numa perspectiva pós-colonial, três categorias temáticas agrupadas por núcleo semânticos, são elas: i) racismo estrutural e impactos na subjetividade intra e interpsíquica nas instituições; ii) resistência inter e intrasubjetivas: movimento emancipatório, decolonização e AfroCidadania; e iii) subjetividade: aspectos contextuais, políticas públicas e papel institucional na afrocidadania. Por fim, consideramos ser de fundamental importância a educação básica como fomentadora da afrocidadania, como preconiza a lei nº 10.639, de 2003 e o currículo escolar construído a partir dela. Pois a partir dessa lei, políticas públicas que suscitam o protagonismo jovem pode colaborar na percepção de pertencimento a espaços decisórios e importantes no empreendedorismo jovem. Compreendemos que as políticas públicas afirmativas são necessárias para que práticas institucionais e formativas sejam operacionalizadas, mudando, consequentemente, a cultura excludente na formação de jovens periféricos.

Published

2025-10-03

Issue

Section

Simpósio On70 - DIREITOS HUMANOS, MOVIMENTOS POPULARES E COMBATE AO RACISMO