A VIOLÊNCIA NOTICIADA NA CATÁSTROFE DAS ENCHENTES DO RIO GRANDE DO SUL, BRASIL
Palavras-chave:
Desastres, Enchentes, Abrigos de Emergência, Exposição à Violência, ComunicaçãoResumo
Introdução: As catástrofes, sejam naturais ou induzidas, agravam desigualdades sociais preexistentes, afetando com maior intensidade populações em situação de vulnerabilidade. Este estudo teve como objetivo identificar e analisar os vocábulos mais frequentes em reportagens jornalísticas sobre violência ocorrida durante as enchentes de 2024 no estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Método: Trata-se de uma pesquisa documental, com abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo. As fontes de dados foram jornais de ampla circulação nacional, selecionados conforme critérios de relevância e cobertura do evento. no período de 27 de abril de 2024 (início das chuvas mais torrenciais) até 12 de maio de 2024 (quando os alertas cessaram e o clima tornou-se mais seco, com chuvas esparsas). A coleta dos dados foi realizada entre os dias 7 e 12 de novembro de 2024, inseridas no software ATLAS.ti (Qualitative Research and Solutions), para proceder à análise lexicográfica e temática. Resultados: A análise revelou, por meio de nuvem de palavras, doze termos com maior incidência: abrigos, pessoas, violência, mulheres, crimes, saques, segurança, tragédia, sexual, crianças, abuso e estupro. Os termos “segurança”, “tragédia”, “crianças e “abuso” destacam-se visualmente na nuvem de palavras. Ao retornar aos textos das reportagens em que o termo “abrigos” aparece repetidamente, tornou-se evidente que a maior parte da violência retratada pelos jornais analisados ocorreu dentro desses espaços. Observou-se que os abrigos não dispunham de infraestrutura adequada para acolher as pessoas em situação de desabrigo, e tudo foi improvisado com base na chegada de doações oriundas de diversas regiões do país. As crianças, assim como as mulheres, foram vítimas de violência dentro dos abrigos. Os abusos e estupros foram amplamente noticiados pela imprensa nacional e, somente após a repercussão nacional esses abrigos reformulados. Conclusão: Os resultados demonstram que a mídia exerce influência direta na construção social da catástrofe, destacando aspectos sensíveis, como a violência em espaços supostamente seguros. Observou-se a predominância de casos de violência contra mulheres e crianças em abrigos, revelando a fragilidade dos sistemas de proteção em contextos emergenciais. Conclui-se que a visibilidade midiática é essencial para pressionar ações governamentais e reforçar a necessidade de respostas multiprofissionais, articuladas e sensíveis às vulnerabilidades sociais intensificadas por desastres. Há que se criar uma cultura de proteção dos mais vulneráveis em situação de desastres, o que exige capacitação profissional e vontade política.