EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS NA EJA
A PRÁXIS DOS ESTANDARTES FREIRIANOS NA EMANCIPAÇÃO SOCIAL
Palavras-chave:
EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS; EJA; EPISTEMOLOGIA DE PAULO FREIRE; ESTANDARTES FREIRIANOS; EMANCIPAÇÃO SOCIALResumo
Este estudo detalha uma experiência de extensão universitária implementada na Educação de Jovens e Adultos (EJA), que utilizou a Oficina de Estandartes Freirianos como metodologia central. O trabalho analisado vincula-se ao projeto de extensão Diálogos Interdisciplinares: Educação em e para Direitos Humanos como Política para o desenvolvimento sustentável, desenvolvido pela Universidade do Estado da Bahia-UNEB(Campus X), na Rede Pública Municipal da cidade de Teixeira de Freitas, Bahia. O objetivo desta pesquisa é apresentar a experiência vivenciada no desenvolvimento de ações que contribuíram para a Educação em Direitos Humanos e a emancipação social na EJA, através da oficina de estandartes freirianos. A escolha da EJA justifica-se pela necessidade de fortalecer a cidadania desses estudantes, majoritariamente pertencentes a camadas socioeconomicamente vulneráveis, em razão dos processos históricos na negação do direito fundamental à educação, a que foram submetidos. Em razão a natureza qualitativa deste relato, trata-se de um estudo descritivo embasada em pesquisa documental e bibliográfica. O referencial teórico principal se alinhou às obras de Paulo Freire (1980,1987,1992,2000), complementado por Arroyo (2017,2019), e documentos oficiais brasileiros (2013,2016). A análise deriva de um processo educativo dialógico a partir experiências, trabalhado pelo círculo de cultura freiriano, em que, os temas geradores, foram questões emergentes vividos pelos participantes, serviram como ponto de partida. Tornando-se o foco da reflexão coletiva sobre cidadania, direitos humanos e o direito à educação. A decisão de empregar o estandarte como recurso artístico na oficina da EJA, se deu, dada sua rica simbologia e expressividade visual. Este artefato foi historicamente apropriado e integrado à cultura popular brasileira, alcançando projeção notável na região Nordeste, onde se consolidou como um elemento identitário em diversas manifestações. Essa escolha metodológica tem consonância com o preceito freiriano de que "ensinar exige ética e estética" (Freire, 1998). Ao propiciar a confecção livre e expressiva de estandartes, aliada à discussão da teoria freiriana sobre a centralidade dos direitos humanos, o projeto possibilitou a materialização da estética freiriana. A arte, nesse contexto, atua como um vetor de humanização e realça o caráter estético da aprendizagem, onde a "decência e boniteza" caminham lado a lado, externalizadas pela liberdade das inventividades subjetivas. Essas criações contribuem para a humanização, que se alcança pelo desenvolvimento integral do ser humano, intrinsecamente ligado ao potencial criativo inerente a todos(as). Em síntese, cada estandarte freiriano produzido foi um processo de ação-reflexão-ação. Considerando que os participantes ativamente constroem seu entendimento e reivindicação desses direitos, através da arte dos estandartes. Portanto, esses artefatos são a culminância da integração de ideias e ideais sobre direitos individuais e coletivos que circularam na oficina, emergindo de uma consciência emancipatória do mundo vivido. Essa consciência se posiciona contra qualquer retrocesso que possa comprometer a garantia desses direitos. A partir dessa compreensão crítica da realidade, os participantes foram encorajados a visualizar o inédito viável, que transformando situações, em ações concretas nos contextos em que estão inseridos(as). Por fim essa ação extensionista reforçou o potencial da pedagogia freiriana para a construção de uma cidadania ativa e consciente, promovendo a emancipação social aos estudantes da EJA.