EMPREGO PARA TODOS E TODAS

DO CAPS AO MERCADO FORMAL DE TRABALHO

Autores

  • Mario Angelo Cenedesi Júnior Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales

Palavras-chave:

direitos humanos, mercado de trabalho, pessoa com deficiência, inclusão

Resumo

Introdução: a inclusão de pessoas com deficiência (PcDs), especialmente aquelas com transtornos mentais e deficiências cognitivas, no mercado formal de trabalho é um desafio que envolve aspectos legais, sociais e técnicos. A Lei nº 8.213/91, ao estabelecer cotas para a contratação de PcDs, representa um avanço, mas ainda há barreiras a serem superadas, como o estigma e a falta de ambientes corporativos inclusivos. A experiência do CAPS I de Pitangueiras-SP, Brasil, evidencia como a articulação entre o setor de Saúde Mental e empresas pode promover inserções laborais efetivas e transformadoras. Objetivo: o presente trabalho tem como objetivo descrever e analisar a experiência desenvolvida pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) I de Pitangueiras-SP, Brasil, no processo de inserção de pacientes com deficiência psicossocial e/ou intelectual no mercado formal de trabalho. Busca-se evidenciar as estratégias adotadas pela equipe multidisciplinar (especificamente pelo trabalho da Terapia Ocupacional), os fluxos de articulação intersetorial com empresas locais e os impactos dessa prática na promoção da inclusão social e no resgate da cidadania desses/as sujeitos/as, considerando os desafios enfrentados e os avanços alcançados ao longo dos anos. Metodologia: a metodologia baseia-se em ações contínuas de Terapia Ocupacional, com atendimentos grupais e individuais, que identificam o potencial laborativo dos/as usuários/as do CAPS. A partir de 2009, iniciaram-se parcerias com mercados locais e, em 2010, com a Usina Pitangueiras. A terapeuta ocupacional realiza triagens de pacientes com perfil para o trabalho, elabora currículos e faz a mediação entre candidatos/as e o setor de RH das empresas. As entrevistas, muitas vezes realizadas no próprio CAPS, contam com a presença de familiares e equipe técnica, o que favorece a segurança emocional do/a paciente. Após a contratação, é mantido um acompanhamento terapêutico periódico, além de articulações com as demais especialidades da equipe multiprofissional e interdisciplinar do CAPS (Psiquiatria, Enfermagem, Psicologia, Musicoterapia, Educação Física), inclusive com visitas técnicas ao local de trabalho para resolução de conflitos e promoção da inclusão plena. Resultados e Discussão: até o momento, foram inseridos dez pacientes no mercado formal, no referido município: um no Mercado Amarelinha como empacotadora e nove na Usina Pitangueiras, em funções como ajudantes de cozinha, limpeza, copa, jardinagem e apoio ao setor de Equipamento de Proteção Individual. A experiência demonstrou impactos positivos na autoestima, autonomia e qualidade de vida dos/as trabalhadores/as. No entanto, houve resistência inicial de algumas equipes corporativas, o que exigiu intervenções educativas da equipe do CAPS junto aos encarregados e setores envolvidos. A inclusão se mostrou viável e benéfica para as empresas, que relataram uma ampliação na percepção sobre diversidade e Saúde Mental das equipes de trabalho. Conclusão: a experiência do CAPS I de Pitangueiras evidencia que a inclusão de pessoas com transtornos mentais no mercado de trabalho formal é possível, eficaz e transformadora. Mais do que cumprir legislações, trata-se de reconhecer a dignidade humana e promover a cidadania. O trabalho conjunto entre Saúde e empresas, com acompanhamento contínuo e sensível às necessidades dos/as trabalhadores/as, é essencial para romper barreiras e construir um mundo laboral mais justo, inclusivo e humano.

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio P22 - O ENFRENTAMENTO ÀS DESIGUALDADES SOCIAIS E AS CONCEPÇÕES DE DIREI