A POLÍTICA PÚBLICA DE RESERVA DE VAGAS DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS

A AFIRMAÇÃO DO ACESSO À EDUCAÇÃO SUPERIOR ENQUANTO UM DIREITO HUMANO E SOCIAL

Autores

  • Leina Maria Rodrigues Arruda Universidade do Estado do Amazonas (UEA) / Secretaria de Estado da Educação do Amazonas (SEDUC/AM) / Secretaria Municipal de Educação de Manaus (SEMED)
  • Marcos André Ferreira Estácio Universidade do Estado do Amazonas (UEA)

Palavras-chave:

EDUCAÇÃO, POLÍTICAS PÚBLICAS, DIREITOS HUMANOS, ENSINO SUPERIOR, AMAZONAS

Resumo

Em 2001, foi instituída, na Amazônia, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a qual, desde o ano de 2005, implementou um sistema de reserva de vagas de acesso ao ensino superior (Lei Estadual nº 2.894/ 2004), a partir de critérios de histórico escolar (escola pública ou privada), territorial e étnico (indígena). No entanto, em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.873, considerou inconstitucional a legislação amazonense que reservava 80% das vagas do vestibular da UEA para estudantes que cursaram o ensino médio, integralmente, em escolas (públicas ou privadas), no Estado do Amazonas. Partindo destes fatos, o objetivo geral deste estudo é: problematizar o sistema de reserva de vagas de ingresso no ensino superior da Universidade do Estado do Amazonas, a partir da decisão do STF, que decidiu pela inconstitucionalidade da Lei Estadual nº 2.894/2004. De modo específico, buscamos: conhecer/mapear as conceituações jurídico-normativas e político-sociais de ações afirmativas (do tipo cotas), a partir das experiências de reserva de vagas das instituições de ensino superior estaduais da região norte do Brasil; identificar como será/é (e se a UEA ainda oferecerá) um sistema de reserva de vagas do tipo cota de ingresso no ensino superior, a partir do ano de 2025, em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a Lei Estadual nº 2.894/2004, com focalização nas discussões e propostas existentes; e, por fim, compreender a organização e a concepção do sistema de reserva de vagas da Universidade do Estado do Amazonas, com vistas à garantia e à efetivação do direito social à educação, enquanto um direito humano fundamental. Metodologicamente, o estudo dialoga com a pesquisa de natureza qualitativa, em aproximação com o método histórico-crítico. Com relação aos tipos de pesquisa, elas são: a bibliográfica e a documental. Ressaltamos que, as análises e as reflexões realizadas, espelham, além das construções e das aproximações teóricas dos pesquisadores, os significados e os ‘sentimentos’, indiciariamente (Ginzburg, 1990), identificados nos documentos legais. A pesquisa se fundamenta, teoricamente, nos estudos de Estácio (2014), Gomes (2001), Mello (2001), Rocha (1996), Vilas-Bôas (2003) e outros. Partimos da compreensão, de que as políticas públicas de ação afirmativa para o ensino superior, surgem a partir de questões relacionadas às exclusões e às discriminações sociais de determinados grupos, os quais têm discutido e reivindicado a construção de políticas públicas socioeducacionais que assumam a perspectiva da inclusão não excludente, bem como a efetivação dos direitos humanos fundamentais, principalmente, o da educação qualificada-exitosa. Em se tratando da região norte do Brasil, a Universidade do Estado do Amazonas foi a primeira Instituição de Ensino Superior (IES) a implementar um sistema de reserva de vagas (Lei Estadual nº 2.894/2004), por meio de um instrumento normativo que pode ser compreendido enquanto uma política pública de ação afirmativa, que busca alcançar e promover a igualdade e a equidade entre as pessoas, tanto distinguindo quanto beneficiando grupos, historicamente, invisibilizados e discriminados, com o objetivo de superar e transformar as experiências e as situações de exclusão e de desvantagem, na qual elas/eles vivenciaram/vivenciam.

Biografia do Autor

Leina Maria Rodrigues Arruda, Universidade do Estado do Amazonas (UEA) / Secretaria de Estado da Educação do Amazonas (SEDUC/AM) / Secretaria Municipal de Educação de Manaus (SEMED)

Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED), na linha de pesquisa Educação, Saberes e Culturas, pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Possui graduação em Direito pela Universidade Federal Paulista (UNIP) (2008) e graduação em Administração pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) (1991). Especialista em Administração Hospitalar e Gestão de Sistemas de Saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FVG) (2002) e em Direito Público pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) (2017). Tem experiência na área de Administração e Gestão Pública, em cargos de assessoramento, coordenação, diretoria, auditoria interna e controle interno. É servidora da Secretaria Municipal de Educação de Manaus (SEMED) e da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (SEDUC). Atua na Pró-Reitora de Planejamento (PROPLAN) na Universidade do Estado do Amazonas na coordenação, elaboração de planejamento estratégico, suporte para execução de Processo Seletivo Simplificado e acompanhamento do Planos de Cargos, Carreiras e Remunerações. É pesquisadora na área de Gestão, Políticas Públicas, Legislação, acesso e permanência na perspectiva do Ensino Superior. É membra do Grupo de Estudos e Pesquisas Étnico-Políticas e Histórico-Educacionais / Laboratório de Educação, História, Etnicidade e Decolonialidade (GEPEPHE/LEHED/UEA/CNPq).

Marcos André Ferreira Estácio, Universidade do Estado do Amazonas (UEA)

Possui graduação em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (FAFIDAM), da Universidade Estadual do Ceará (UECE) (2000), Mestrado em Educação pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) (2011) e Doutorado em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) (2019). Atualmente é professor adjunto da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED/UEA). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em História Geral da Educação, História da Educação Brasileira e Amazônica, Estrutura e Funcionamento da Educação Básica e Legislação da Educação Básica, atuando principalmente nos seguintes temas: educação, juventudes, ensino superior, indígenas, Amazonas, ação afirmativa e democracia.

Publicado

03.10.2025

Edição

Seção

Simpósio P12 - POLÍTICAS PÚBLICAS, DIREITOS E EQUIDADE: TRATAMENTO NOS CAMPOS DA