GLOBALIZAÇÃO E DIREITOS HUMANOS: A NECESSIDADE DE UM DIÁLOGO MULTICULTURAL
Palavras-chave:
Direitos Humanos; Globalização; Multiculturalismo; Diálogo.Resumo
A globalização, enquanto fenômeno social, permite a aproximação das pessoas e povos, ao trazer consigo uma diversidade de culturas e uma necessidade crescente de convivência entre as raças, idiomas e costumes. Por outro lado, tende a universalizar aspectos culturais, por intermédio da massificação das culturas predominantes. Dessa forma, é pertinente a premissa de que as manifestações culturais são, na verdade, a semiotização de práticas da vida humana, as quais estão, cada vez mais, se pluralizando. Em face disto é preciso garantir mecanismos para que as pessoas possam manter suas raízes culturais ainda em um mundo globalizado. Assim, a presente pesquisa tem como objetivo demonstrar a importância para um reconhecimento de culturas ‘‘diferentes’’, almejando uma preservação à diversidade cultural. Nesse sentido, a relevância desta temática versa sobre os processos de globalização hegemônica e contrahegemônica como fatores basilares para se afirmar uma sociedade verdadeiramente multicultural. É possível adotar como algo indicativo de aspectos multiculturais as perspectivas de resoluções de problemas e valores emergentes face a uma sociedade em (re) construção, o que não se atrela, necessariamente, às vias específicas de cada povo. Tem-se, hoje, como um dos grandesdilemas enfrentados pelos direitos humanos a sustentação de sua universalidade no que tange as variadas culturas. Nãoobstante, considera-se como hipótese, o fato de que o mundo sempre viveu uma realidade heterogênea e que adiversidade cultural sempre esteve presente em nossa realidade. Logo, a globalização, entendida muitas vezes comoavassaladora, possui variados elementos (sociais, econômicos e culturais) sendo um instrumento influenciador sob os comportamentos dos povos e das nações. Ao colocar essa premissa como ponto a ser discutido, deve-se fazer o seguinte alerta: o problema hoje é que, em vez de se aceitar um conjunto comum e universal de valores da humanidade constituído a partir das diferentes civilizações e patrimônios culturais, o que há é a padronização do consumismo, e isso sim pode levar à homogeneização da cultura humana. Isso, por sua vez, dá margem ao pressuposto de que os valores divulgados na era globalizada são, na verdade, embasados por uma consciência mercadológica, em detrimento de um olhar mais universal sobre as práticas sociais. Nessa óptica, o multiculturalismo ganha proporções que englobam crenças diversas, bem como valores morais e legais. Em suma, a identidade humana é criada dialogicamente, como reação às nossas relações. Se a identidade humana é dialogicamente constituída, logo o reconhecimento da nossa identidade exige uma política que nos dê espaço para decidirmos publicamente sobre todos aqueles aspectos da nossa identidade quepartilhamos ou, pelo menos, potencialmente, com outros cidadãos. O Multiculturalismo deve, dessa maneira, ser uma escolha adotada pelos Estados, com uma finalidade precípua de cuidar para que os Estados contemporâneos adotem medidas contemporâneas de tolerância e agregação de movimentos sociais emergentes, com a intenção de buscar a tutela efetiva das minorias.