AUDIÊNCIAS DE CUSTÓDIA

OS DESAFIOS ENFRENTADOS DURANTE A PANDEMIA NO ESTADO DO MARANHÃO

Autores

  • RAFAELA DE ARAUJO DUARTE Universidade Ceuma
  • Rosélia Santos Universidade Ceuma

Palavras-chave:

Audiência de custódia, Direitos Humanos, Recomendação 62, Pandemia, Sistema Prisional

Resumo

O presente trabalho analisa os desafios enfrentados na efetivação da audiência de custódia no Estado do Maranhão durante o período de Março/2020 a Maio/2021. A audiência de custódia é um instituto incorporado desde a promulgação do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, através do Decreto n. 592/1992, porém o sistema jurídico brasileiro não possuía regulamentação que efetivasse o seu exercício. Somente em 2015, com a resolução n. 213, o CNJ regulamentou o instituto, a fim de garantir a efetividade desse instrumento processual, na busca do controle de legalidade da prisão e para o combate à superlotação carcerária. Diante do quadro pandêmico, declarado em março de 2020, houve a necessidade do sistema judiciário brasileiro adotar medidas de contenção, principalmente, em relação aos grupos de maior vulnerabilidade, como a população carcerária. Dentre as práticas escolhidas pelo CNJ, uma delas foi a suspensão das audiências de custódia de forma presencial, disposta no artigo 8º da Recomendação 62/2020. Assim, a delimitação do estudo de março de 2020 até maio de 2021 ocorre pelas intervenções normativas e procedimentais relevantes, realizadas e restritivas ao acesso à justiça dos encarcerados. A problemática dessa pesquisa advém da vulnerabilidade da população carcerária em relação às garantias de seus direitos firmados no plano interno e externo, bem como, o princípio da dignidade da pessoa humana, porquanto se indaga: quais os principais efeitos percebidos pela atuação do Estado no sentido de assegurar os direitos desses vulneráveis? Como hipótese, tem-se que o afastamento da audiência de custódia na sua forma presencial repercute na diminuição do alcance do sistema de garantia processual e proteção dos direitos humanos. O objetivo geral consiste em analisar os principais efeitos obtidos nos tratamentos normativo e decisório do Estado Brasileiro aos encarcerados provisórios durante a crise pandêmica, considerando os compromissos internacionais e as interpretações constitucionais sobre a audiência de custódia. A metodologia dessa fase inicial terá como base a sociologia reflexiva de Pierre Bourdieu (2012), por seu entendimento vinculado à realidade e às relações de poder de forma simbólica. A pesquisa orienta-se pela compreensão da efetividade dos direitos e garantias processuais penais, segundo a normatividade constitucional plena (BARROSO, 2010). Ademais, a pesquisa possui viés exploratório, com abordagem qualitativa e, para a consecução de seus objetivos, elege técnicas como a análise de conteúdo (BARDIN, 2009) e discurso (FOUCAULT, 2013), além da pesquisa bibliográfica e do levantamento documental e de dados, de modo a revelar intencionalidades veladas e atribuir maior rigor científico à pesquisa. Os resultados parciais podem ser vislumbrados quando se confrontam as medidas sanitárias de suspensão da apresentação presencial do encarcerado à audiência de custódia com as normas internacionais que promoveram sua criação. A relativização do direito à liberdade não alcança amparo quando se aponta para um retrocesso social na condição do preso provisório, mitigando a sua dignidade.

Biografia do Autor

Rosélia Santos, Universidade Ceuma

Mestranda em Direito Profissional de Vulneráveis e Ações Afirmativas. Advogada. Possui graduação em Direito pelo Centro Universitário do Maranhão (2001), especialização em Didática Universitária pela Faculdade Atenas Maranhense (2005), especialização em Direito do Estado pela Universidade Anhanguera (2012) e especialização em Administração das Organizações Educativas pela Faculdade de Teologia Hokemâh (2016). Atualmente é professora titular do curso de Direito da Faculdade Estácio São Luís das disciplinas Civil IV e Civil V, desde 2015 . É orientadora dos Trabalhos de Conclusão do Curso de Pós-Graduação em Gestão Pública da Universidade Estadual do Maranhão - UEMA em convênio com a CAPES (2019). Foi professora titular da disciplina Civil IV e Constitucional do curso de Direito da Universidade CEUMA , de 2004 a 2018. Atuou como Pregoeira da Controladoria Geral do Estado do Maranhão, bem como, participou do Grupo de Gestão e Controle dos Convênios Federais no Maranhão. Exerceu o cargo como Assessora Especial na Fundação de Amparo à Pesquisa do Maranhão. Tem experiência nas áreas de Civil, Constitucional e Administrativo, atuando nos seguintes temas: políticas públicas em educação e em moradia, direito público, controle de constitucionalidade, direitos humanos, direito das minorias, pessoas com deficiência, mediação nas relações familiares e ordem social. Publicou na Revista Ceuma Perspectivas. Participou do Grupo de Pesquisa sobre "Da opulência à precariedade dos Modos de Morar em São Luís do Maranhão. Do direito à moradia ao direito à cidade." da Faculdade Estácio São Luís( 2017/2018).

Publicado

06.01.2022