Pedagogia do Caminho
Palavras-chave:
Pedagogia do Caminho, Práxis pedagógica, Jesus de Nazaré, Educação emancipatória, Filosofia da EducaçãoResumo
A pesquisa desenvolve uma análise sobre a práxis pedagógica de Jesus de Nazaré, a qual intitulamos de “Pedagogia do Caminho”. Preliminarmente buscou-se responder às seguintes indagações: é possível deduzir a existência de uma “Pedagogia do Caminho”? Ela corrobora com uma educação humanizadora e emancipatória? Ela pode ser uma alternativa à “Pedagogia das Competências”? O corpus linguístico que figurou como fonte principal para acesso à práxis pedagógica de Jesus de Nazaré foi o Novo Testamento grego (NESTLE, E. et alli, Novum Testamentum Graece: edição com margens e introdução em português. 28 ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2018). Tanto a análise linguística e hermenêutica do texto grego quanto a revisão bibliográfica das obras produzidas pelos comentaristas neotestamentários, demonstram a hipótese de uma práxis pedagógica de Jesus de Nazaré caracterizada como universal, humanizadora e emancipatória. A personagem principal, Jesus de Nazaré, está em constante movimento e vai com seus aprendizes de um lugar para outro. No caminho habitualmente interage com alguém e dessa dialogicidade se depreende alguma aprendizagem para ambos. Jesus de Nazaré é representado como o pregador itinerante de um “Reino de Deus” acessível sem intermediários e onde não existem categorias sociais. É um mestre que se senta “em círculo” com seus aprendizes, isto é, no mesmo nível, sem hierarquia. Na sociedade judaica patriarcal do século I E.C., ele dá às mulheres voz e lugar de destaque em seu movimento. Sua práxis pedagógica é inclusiva, humanizadora, libertária, revolucionária e desafiadora, em seu tempo e na atualidade. Assim, se faz urgente resgatar a “Pedagogia do Caminho” para a construção de um enfrentamento prático-teórico dos movimentos religiosos contemporâneos que se apropriaram de uma narrativa equivocada sobre os textos neotestamentários, com o intuito de impor ao processo educacional público e laico ideologias não democráticas de caráter teocrático e sem fundamento pedagógico plausível. “... O legado cristão autêntico é precioso demais para ser deixado aos fanáticos fundamentalistas” (ŽIŽEK, Slavoj ; GUNJEVIĆ, Boris. O sofrimento de Deus. Inversões do Apocalipse. Tradução de Rogério Bettoni. 1 ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2015, p. 27). Recuperar a “Pedagogia do Caminho” é importante para apresentar mais uma alternativa às tradicionais pedagogias fundamentadas no positivismo ultrapassado, na meritocracia excludente, na repressão punitiva e na vigilância restritiva, como é o caso da “Pedagogia das Competências”, amplamente adotada no Brasil e estreitamente vinculada às demandas atuais do processo produtivo capitalista. Em uma pesquisa preambular não seria possível esgotar totalmente o tema da práxis pedagógica de Jesus de Nazaré. Contudo, a pesquisa conseguiu responder positivamente às três questões iniciais a que se propôs: sim, é possível inferir a existência de uma “Pedagogia do Caminho”; sim, ela corrobora com um processo educacional humanizador e emancipatório; sim, ela pode ser mais uma alternativa à “Pedagogia das Competências”.