POLÍTICA DA MORTE
UMA ANÁLISE ACERCA DA INFLUÊNCIA DO DISCURSO COMO AGENTE FOMENTADOR DA NECROPOLÍTICA
Keywords:
NECROPOLITICA; DISCURSO; ACHILLE MBEMBE; COVID-19Abstract
Muito se tem discutido acerca da importância da intervenção estatal por meio de políticas públicas e qual a sua relevância no cenário desigual figurado em países neoliberais em momentos de crise. Escancarando disparidades, a pandemia do covid-19 apresenta-se como verdadeira face da ineficiência do sistema neoliberal em que pese a subalternização de vidas em prol do capital financeiro. É fazendo uma análise à luz do filósofo Achille Mbembe e seus estudos sobre teorias foacoultianas que perpassamos sobre a influência da memória do discurso quando promovida por autoridades e sua defluência na existência da necropolitica. Vale afirmar que as posições sociais hierarquizam as oportunidades de classe em dimensões "clássicas", que são econômicas, culturais e sociais, conceituadas por Pierre Bourdieu como práticas de distinção. Tal fator nos remete a acreditar que mesmo a parcela da classe popular com distinto capital cultural está subjugada a norma e valores prevalecentes. Os sujeitos subjugados estão subordinados às implicações imperativas do âmbito de produção ideológica hegemônica. Carece-lhes de capital escolar, elucida Bourdieu, o que culmina em um senso comum que legitima a atuação da necropolítica, pois para as classes dominantes a compreensão concreta do mundo é a sua própria forma de ver a vida. As dimensões trazidas pelo autor perpassam na formação do indivíduo e agem de modo a formar juízos de valor que eventualmente podem desencadear no sistema do conceito cientificado por Mbembe. Tais questões se acentuaram no cenário hodierno em virtude da pandemia do covid-19, incitando à reflexão: Até que ponto o discurso governamental do presidente está intrinsecamente relacionado a efetividade da necropolítica no Brasil em tempos de pandemia, e como afeta as minorias sociais? Em um contexto de pandemia em um sistema neoliberal, a Organização Mundial de Saúde determinou que, com a falta de uma vacina, o isolamento social seria a única maneira eficaz de conter a propagação desenfreada do vírus. Tal fator só é possível a partir de uma quarentena coletiva, no entanto, a estrutura social que figura países ‘contaminados’ pela desigualdade, aliados a negligência estatal, faz com que se manter em quarentena se torne um privilégio de classe, visto que o isolamento social pressupõe a necessidade à ofícios não essenciais de laborar em casa. Tendo isso em vista, se faz necessário analisar a situação através dos referenciais teóricos supracitados e demonstrar assim, a relevância do tema. Como objeto principal, busca-se entender as raízes da necropolítica como sistema de gestão e o seu grau de influência na modernidade, perquirindo o perfil dos reais atingidos por tal política, além de analisar de que modo a pandemia do covid-19 evidencia discursos embasados no conceito de Mbembe, afetando, dessa forma as classes mais fragilizadas do corpo social. O método de abordagem escolhido para a produção da pesquisa científica foi o dedutivo e o método de procedimento, histórico, com auxilio metodológico da análise política dos discursos. Concluiu-se que o discurso consiste em importante aparelho de legitimação de vontades do Estado fomentando assim a necropolítica.