AS ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS E O PODER LOCAL NAS COLÔNIAS DO NOROESTE DO RIO GRANDE DO SUL (BRASIL, INÍCIO DO SÉCULO XX)
Abstract
Este trabalho trata-se de uma revisão historiográfica referente ao papel e atuação das Igrejas Luterana e Católica na formação e desenvolvimento das colônias da Região Noroeste do Rio Grande do Sul, Brasil. Muitos imigrantes europeus, no início do século XX, migraram para regiões ainda despovoadas do Rio Grande do Sul, chegando ao território que pertenceu nos sécs. XVII e XVIII às Antigas Missões Jesuíticas Espanholas. Nestes territórios, geralmente financiados por empresas privadas ou cooperativas, os imigrantes europeus fundaram as novas colônias, visando a criação de novos núcleos e frentes de povoamento. Estes imigrantes empreendiam uma busca por uma vida melhor, com maiores possibilidades de desenvolvimento econômico. Ao serem direcionados para esta região específica do Estado, os colonos criaram organizações e associações com apoio das Igrejas Católica e Luterana, que também financiavam a compra de novos lotes de terras férteis para os migrantes, bem como proporcionavam desenvolvimento econômico-social para os habitantes das comunidades. A presença da religiosidade nas vidas desses colonos foi um marco regulatório em seus comportamentos e na sua convivência. As regras do padre/pastor eram bastante rígidas e, na maior parte dos casos, seguidas à risca. Este “marco moral” é sempre apontado como causa do sucesso ou fracasso de empreendimentos colonizadores. Toda a vida das pessoas nesses confins girava em torno dos eventos religiosos (festas, casamentos, batizados) e, geralmente, as relações amorosas eram permitidas apenas dentro deste círculo fechado, que era a comunidade religiosa à qual a família pertencia. Portanto, para entender a dinâmica das colônias de imigrantes europeus do sul do Brasil é preciso analisar a dinâmica do poder e a influência da religiosidade na organização dessas comunidades. O papel dos religiosos foi muito além de suas funções eclesiásticas, servindo também como credores, conselheiros, fundadores das relações de poder que vinham a ser as bases da organização daquelas localidades.