A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO É ESSENCIALMENTE A PRECARIZAÇÃO DA VIDA FORA DO TRABALHO

COMO A PANDEMIA APROFUNDOU ESTA PRECARIZAÇÃO PARA AS MULHERES NO BRASIL

Autores

  • Marcela da Silva Melo IFCE

Palavras-chave:

Pandemia, Precarização, Mercado de Trabalho, Mulheres

Resumo

As transformações desenvolvidas pelo sistema capitalista global têm causado a precarização do mercado de trabalho, desregulado a função de amparo social do Estado e destinado às mulheres oportunidades de inclusão que reforçam os processos excludentes, por sua inclusão precária. Além disso, mercado e Estado reproduzem e reforçam a desigualdade, ao intensificar a segmentação entre: qualificados, com vínculo formal e com acesso à proteção social; e o excedente de trabalhadores, aos quais o estado de desproteção intensifica sua precarização de condições não só de trabalho, mas principalmente de vida. São essas tessituras que vêm se modificando e contribuindo para a formatação dessa sociedade que subordina e desumaniza as mulheres, numa dolorosa realidade de exclusão estrutural. Vislumbra-se, nos próximos anos, o aprofundamento das novas formas de precarização do trabalho no Brasil, seja pela ampliação da informalidade e nova precariedade salarial, ou pelo cenário de crise prolongada da economia. O nível de exploração a que o trabalho feminino está exposto é capaz de gerar sua marginalização do sistema produtivo de bens e serviços, quer no nível da organização e da estrutura da sociedade, ou do trabalho doméstico não remunerado, que ao ser praticado pelo grupamento mais espoliado e subvalorizado de humanos será equivalente a exprimir a marginalização da própria mulher enquanto ser social. O cenário pandêmico aprofundou tragicamente a conjuntura desse mercado, seja pela menor participação da mulher no mercado em 30 anos ou porque as mulheres sofrem de forma desproporcional os impactos dessa crise socioeconômica, visto que a estrutura do patriarcado mantém a divisão sexual do trabalho embasada na distribuição desigual das atividades de cuidado e organização doméstica sobre as mulheres. À vista disso, é necessário e urgente passar à outra compreensão desse tratamento subvalorizado e essencialmente precarizado destinado à força de trabalho feminina, que além de estar no cerne das formas de exploração que são responsáveis por caracterizarem a dominação de gênero, também encontra paralelismos entre a divisão do trabalho doméstico não remunerado, em conjunto com a divisão do trabalho remunerado e as relações de poder nas sociedades contemporâneas. Além de alertar para a importância de considerar a compreensão de gênero em todas as medidas para contenção dos impactos da crise socioeconômica causados pela pandemia. O presente estudo objetiva analisar de forma crítica as transformações desenvolvidas no mercado de trabalho brasileiro, que levam a uma precarização para além do trabalho, na vida das mulheres, a partir da conjuntura de crise socioeconômica desencadeada pelo contexto pandêmico. Tal pesquisa será realizada a partir da utilização dos métodos histórico e comparativo, averiguando a evolução histórica e social da problemática apresentada.

Publicado

11.01.2022