FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES EM MEIO A PANDEMIA NO BRASIL
RESGATANDO A OBRA DE CAROLINA MARIA DE JESUS PARA UMA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA
Palavras-chave:
Formação docente; Educação em Direitos Humanos; Carolina Maria de Jesus; Educação antirracista.Resumo
O presente artigo tem por objetivo apresentar o trabalho de formação continuada de professores da rede pública do município de São Paulo, capital do estado de São Paulo (Brasil), desenvolvido durante o ano de 2020 que, devido à pandemia de coronavírus, necessitou ser adaptada para o modo remoto (via internet). Sob o intuito de promover uma educação antirracista e reflexões sobre o racismo estrutural existente e persistente na sociedade brasileira e, ao mesmo tempo, subsidiar os docentes para adequações pedagógicas que considerem as especialidade das turmas atendidas e também a disciplina a ser ministrada, uma vez que a escola onde esses professores lecionam atende estudantes da educação básica, mais precisamente do ensino fundamental: do primeiro ao nono ano. A escola em questão atende alunos e alunas de região periférica da cidade e possui entre suas características o distanciamento geográfico do centro da cidade, a ausência de equipamentos públicos e/ou mesmo pertencentes à iniciativa privada para a promoção de lazer e cultura como museus, cinemas, quadra poliesportivas. Parte significativa das famílias desses estudantes, por terem estabelecido suas moradias em área de ocupação, não têm acesso à água e esgoto encanados; ruas pavimentadas e disponibilidade de transporte público. Além disso, registrou-se que a maioria dos alunos e alunas desta Unidade Escolar, se autodeclarou como pretos ou pardos, em pesquisa realizada pela própria Secretaria Municipal de Educação (SME), durante o ano de 2018. A principal referência bibliográfica foi a do resgate das obras literárias de Carolina Maria de Jesus: Diário de Bitita e Quarto de Despejo. Tal formação teve como base a leitura críticas dessas obras, atrelando análises sociológicas, educacionais, de resgate histórico e atividades individuais e em grupo, que colocavam em debate questões referentes ao feminismo negro; a valorização do cabelo afro; as religiões de matriz africana; a representação (ou a ausência desta) das manifestações culturais no cotidiano brasileiro; dentre outras questões que pudessem promover formação continuada de qualidade. Tendo a Educação em Direitos Humanos como a linha mestra desta formação, buscou-se relacionar questões étnico-raciais também com a questão de gênero como forma de relacionar o racismo estrutural ao machismo, à misoginia e à homofobia.