AS VULNERABILIDADES, MEIO AMBIENTE E RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL

UMA ANÁLISE DO CASO BRASILEIRO

Autores

  • LUCINEIA ROSA DOS SANTOS PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO
  • JULIANA MELO TSURUDA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO

Resumo

O objeto da pesquisa é a análise da proteção jurídica das pessoas em situação de vulnerabilidade, em razão das deficitárias políticas ambientais no Brasil. A relevância temática da investigação e sua justificativa estão no fato de que, somente na história recente, o país tem acumulado grande passivo ambiental em virtude de uma política de desenvolvimento, que não prestigia, em efetivo, a sustentabilidade. Nesse sentido podemos apontar o vazamento de óleo na Baía de Guanabara, na cidade do Rio de Janeiro, em 2000; no mesmo ano, o vazamento de óleo nos Rios Barigui e Iguaçu, no Paraná; o incêndio na Ultracargo, no Porto de Santos, em 2015; no mesmo ano, o rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais; bem como o rompimento da barragem de Mina do Feijão, em Brumadinho, também no estado mineiro, em 2019; além de outras ocorrências na história recente do Brasil, denunciadas na Comissão Interamericana de Direitos Humanos e outros órgãos internacionais. No cerne da questão ambiental, estão os grupos de pessoas que, em decorrência desses eventos, encontram-se em situação de maior vulnerabilidade e lamentável violação de direitos, tais como comunidades tradicionais, povos indígenas e quilombolas. O objetivo de nossa proposta é fazer uma leitura desses casos à luz do direito internacional dos direitos humanos, examinando as consequências e possíveis responsabilidades internacionais para o Brasil, em decorrência do desrespeito ao desenvolvimento sustentável enquanto direito inalienável da pessoa humana. Como metodologia, partiremos de uma pesquisa majoritariamente qualitativa, documental, legislativa, jurisprudencial e bibliográfica. Nossa hipótese inicial, baseada no objetivo 11, meta 11.5, dos ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, das Nações Unidas, é de que o desrespeito aos compromissos internacionais firmados pelo Brasil, no tocante à essa opção de desenvolvimento, são política, social, cultural e, inclusive, economicamente mais custosos ao Estado, na medida em que geram responsabilidade interna e internacional, o que abrange o pagamento de justa indenização às vítimas e prejuízos incalculáveis à sociedade.

Biografia do Autor

JULIANA MELO TSURUDA, PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO

AUTORA: Doutorada em Direitos Humanos pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Advogada. Professora na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo nas áreas de Direitos Humanos, Direitos Humanos dos Refugiados, Direito da Criança e do Adolescentes e Direitos de Igualdade de Gênero-raça. Atuo como Conselheira eleita na Fundação Anchieta da Tv Cultura do Estado de São Paulo, além de escrever va´rios artigos co-relacionados aos direitos humanos, bem como, palestrante na citada área.

CO-AUTORA: Mestre em Direitos Humanos pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. ´Pós graduada no CAS en droit de l'homme na Université de Genève. Pós graduada em direitos fundamentais pelo IBCCRIM, em parceria com o Ius Gentiun Conimbrigae da Universidade de Coimbra. Advogada e professora.

Publicado

06.01.2022